sexta-feira, 21 de março de 2008

Lembrar e esquecer: desejos da memória

Num de seus contos – Funes, el memo­rioso – Borges nos mostra do que seríamos privados caso o esquecimento resultasse uma tarefa impossível. O protagonista, Funes, após sofrer um golpe na cabeça adquire dois surpreendentes talentos: uma percepção ab­soluta das coisas e uma memória notavel­mente poderosa. Capaz de narrar interminavelmente e com exactidão tudo aquilo que havia visto, ouvido, tocado, cada detalhe per­ceptível e cada instante vivido era imediata­mente convertido em lembrança.
 
O que Funes percebia nos mais mínimos detalhes em um dado momento era imediata­mente confrontado por uma nova percepção dessa mesma coisa junto às intermináveis nuances que uma mudança de movimento, iluminação e postura implicavam. O perso­nagem de Borges, diante de tantas memórias e percepções diversas de uma mesma coisa, sentia-se impossibilitado de compreender o mundo que o rodeava.
 
A formulação de um conceito implica pos­tular a identidade e a permanência de al­guma coisa; portanto precisa do esqueci­mento. Uma memória plena, como a de Fu­nes, que não se distinguisse da consciência, que não diferenciasse o percebido do lem­brado, não seria apenas insuportável, seria impossível. O esquecimento é imprescindí­vel para a evocação da lembrança e para a própria constituição da memória. Somente lembramos porque somos capazes de esque­cer.
 
Entre os tantos estímulos que nos chegam do mundo escolhemos, consciente ou inconscientemente, aqueles que guardaremos em nossa memória e aqueles que serão esquecidos. Poderíamos então perguntar: o que nos faz esquecer? O que estaria regendo nossas escolhas entre o que deve e o que não deve ser guardado na memória?
Amalia Creus

quinta-feira, 20 de março de 2008

Grândola contra fecho nocturno do SAP

António Cotrim, LUSA

Perto de 1.500 pessoas participaram esta quinta-feira numa marcha de protesto pelo IP1, em Grândola, contra o encerramento nocturno do Serviço de Atendimento Permanente local. A ministra da Saúde diz-se disponível para dialogar, mas garante que a “reorganização de atendimentos é para manter”.

A acção de protesto foi convocada no início da semana pela Comissão de Acompanhamento Permanente dos Assuntos do Centro de Saúde de Grândola, que integra a Comissão de Utentes daquela unidade, o provedor da Misericórdia e vários órgãos da Câmara Municipal, incluindo o presidente Carlos Beato.

O presidente da Câmara de Grândola encabeçou, de resto, a manifestação desta quinta-feira, com cerca de 1.500 pessoas a lançarem palavras de ordem contra o encerramento nocturno do SAP, concretizado após o incêndio que a 24 de Outubro destruiu a sala de urgências do serviço.

De acordo com o autarca de Grândola, o Ministério da Saúde havia dado garantias de que o horário anterior ao incêndio – 24 horas por dia – seria reposto logo que as obras de recuperação da sala de urgências estivessem concluídas. A sala foi entretanto recuperada, mas o SAP permanece a funcionar apenas no horário diurno, das 9h00 às 21h00.

Carlos Beato exige que o Governo cumpra o que prometeu.

“Esta manifestação é pelo cumprimento da palavra dada pelo Ministério da Saúde, que não cumpriu aquilo que por escrito assumiu com o município de Grândola”, afirmou o autarca, em declarações à RTP.

O Ministério da Saúde, prosseguiu Carlos Beato, garantiu que “o Centro de Saúde não encerraria à noite sem que houvesse uma audiência prévia com o município”. “Como isso não aconteceu, estamos aqui a dizer que não aceitamos comportamentos desses e não merecemos comportamentos desses”, rematou.

Ministra da Saúde defende “política de reorganização de atendimentos”

A ministra da Saúde já anunciou que conta reunir-se “muito em breve” com o presidente da Câmara Municipal de Grândola para debater a situação do Centro de Saúde local. No entanto, Ana Jorge ressalva que “a política de reorganização dos atendimentos é para manter”. E desdramatiza a possibilidade de a contestação popular regressar às ruas.

“Aquilo que está a ser considerado em relação à política de reorganização dos atendimentos foi definido pelo Governo e é para manter”, frisou à RTP a ministra da Saúde.

Quanto à possibilidade de uma reedição dos protestos que desgastaram o seu antecessor na pasta, Ana Jorge procurou desdramatizar esse cenário.

“As pessoas têm o direito de se manifestarem e nós temos o direito de as informar, proteger e de desenvolver serviços que sejam competentes e seguros para a saúde dos portugueses”, afirmou.


Carlos Santos Neves, RTP
2008-03-20 19:40:59

quarta-feira, 19 de março de 2008

Todos nós somos responsáveis pelo ambiente...

Todos nós somos responsáveis pelo ambiente que nos rodeia, é comum ouvirmos as pessoas queixarem-se das alterações climatéricas, da contribuição que para isso tem as grandes empresas e os grandes países industriais.
Mas quantas vezes não utilizamos o automóvel para uma curta viagem de algumas centenas de metros para ir beber um café? Parecendo que não esse pequeno gesto multiplicado pelos milhões de veículos automóveis, existentes no planeta Terra, significa uma quantidade astronómica de CO2 a contribuir para o efeito estufa que nos rodeia!
A solução para esses hábitos terá de partir da formação, quer a escolar, quer a realizada no seio familiar, temos de incutir nos nossos jovens hábitos que contribuam para a preservação do ambiente.
Resido neste momento a cerca de dois quilómetros do centro da vila, aonde me desloco diariamente, por vezes até mais de uma vez, normalmente faço-o a pé, mas noto imensas vezes a estranheza das pessoas quando se apercebem desse facto.
Há dias quando contactado por um cliente para um serviço de assistência técnica ao domicilio, indiquei-lhe a hora mais adequada para mim, recebi a resposta que não era possível porque a essa hora iria buscar o filho à escola, considerando que o cliente reside a pouco mais de um quilómetro da escola do filho, inquiri porque razão o filho não se deslocava de bicicleta para a escola, o espanto demonstrado pelo meu interlocutor na sua resposta deixou claro que eu acabara de dizer uma heresia.
É óbvio que este jovem quando for adulto, seguirá os ensinamentos que recebeu na sua infância, ou neste caso já na sua adolescência, o seu meio de transporte será sempre o automóvel, mesmo que em causa estejam distâncias ridículas!
No entanto felizmente vamos verificando que algumas coisas vão mudando nas grandes empresas/grandes poluidores:

Galp alia-se à Algafuel para produzir microalgas em Sines

A Galp Energia assinou, ontem, uma parceria com o Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI) e a empresa Algafuel, tendo em vista a constituição de um consórcio para a produção de biomassa e biocombustíveis a partir da cultura de microalgas e da respectiva sequestração de dióxido de carbono (CO2) na refinaria de Sines. Esta é, segundo Ferreira de Oliveira, presidente executivo da Galp, uma forma de «cumprir com as responsabilidades para com a comunidade que suporta o nosso negócio».
O projecto vai envolver um investimento entre 1 e 2 milhões de euros. Numa primeira fase, será constituída, pela Algafuel, uma zona piloto de cerca de um hectare, depois de feitos todos os estudos e análises de modo a encontrar as espécies mais adequadas ao local e aos gases emitidos. A empresa espera que, em 2009, o protótipo já esteja a funcionar.

O INETI ficará responsável pela definição do momento ideal para a colheita e pela extracção do óleo da biomassa resultante da “criação” de microalgas. Esse óleo será depois refinado na biorrefinaria de Sines, que entrará em funcionamento, segundo Ferreira de Oliveira, em 2010. Depois da fase piloto, iniciar-se-á a produção a uma escala industrial, ainda sem data prevista. «Acredito que vamos estar em pé de igualdade com as grandes multinacionais», afirmou o responsável da Galp, acrescentando que «sendo mais pequenos podemos ser mais ágeis e ambiciosos».

Cada tonelada de microalgas produzida consome cerca de duas toneladas de CO2, tendo ainda uma acumulação intracelular de lípidos que pode atingir 60 a 70 por cento do seu peso seco. Estes organismos constituem-se, assim, como uma boa solução para as unidades de produção industrial cuja actividade seja condicionada pelas emissões de dióxido de carbono ou óxidos de azoto. Por cada 20 toneladas de crude refinado em Sines, são emitidas 4 toneladas de CO2 que, se utilizadas para alimentar as microalgas, produzirão duas toneladas de biomassa e uma tonelada de biocombustível.


Autor / Fonte
Sofia Vasconcelos
Ambiente Online

terça-feira, 18 de março de 2008

A cidadania e a sociedade civil

O Escutismo pode e deve desenvolver um papel primordial na sociedade civil, este “terceiro poder” crescente entre o governo e o mundo dos negócios. A sociedade civil é um magma complexo… sendo este o seu principal trunfo e, simultaneamente, a sua principal fraqueza. Ela própria não tem fronteiras e é pouca estruturada. É uma rede de redes, com tendências variadas – que se definem unicamente pelo que ela não é: nem um governo nem uma empresa.

A Sociedade civil: para uma definição do conceito Como o refere a história da filosofia política, as definições da sociedade civil são numerosas em função dos diferentes pontos de vista. A expressão “sociedade civil” passou a estar na moda há alguns anos atrás porque tornou-se sinónimo do que está “bem” e “desejável”. Consequentemente, os diferentes actores sociais apressaram-se a utilizar esta expressão, se bem que o significado que lhe atribuem pode variar consideravelmente.
Esta é uma definição realista que permite identificar mais facilmente as características, os actores e as funções da sociedade civil:
  • a sociedade civil existe entre o sector público e o sector privado;
  • representa o espaço no qual nos colocamos quando nos comprometemos com actividades que não fazem parte das esferas governamentais ou comerciais;
  • refere-se a um espaço cívico no qual os indivíduos desenvolvem papeis sociais e negoceiam com os governos as condições de uma sociedade melhor;
  • compreende grupos e indivíduos livremente reunidos, agrupados;
  • enquanto que o sector privado procura o lucro, a sociedade civil procura o consenso e a maneira de trabalhar a integração e a cooperação. É graças ao contrapeso da sociedade civil que o mundo evolui de maneira social.

As funções da sociedade civil são:
  • agir na qualidade de mediador
  • oferecer-se como um contra poder, aumentando assim a responsabilidade do Estado
  • ser um vector de participação dos cidadãos
  • promover a coesão e a igualdade social
  • desenvolver o sentido da comunidade
  • promover a aprendizagem e a socialização
  • estimular a pluralidade
  • criar uma capacidade social

segunda-feira, 17 de março de 2008

Glossário de Airsoft (de C a E)

Classic Army SAR Sportmatch M41 SG AEG
CA - Classic Army
Um dos "grandes" fabricantes no Airsoft. Localizada em Hong-Kong especializou-se em construir AEG's e acessórios para as mesmas. www.classicarmy.com
Calibre
Medida do diâmetro do projéctil.
No airsoft por norma usa-se BB's de 6mm.
Carbine
Arma de tamanho mais reduzido (cano mais reduzido) e mais leve, sendo indicadas para acções mais tácticas.
Chronograph ou crony
Aparelho para medir a velocidade de saída de uma BB.
Este aparelhos funcionam através de sensores de luminosidade que me analisam as falhas na luminosidade existe, medindo o tempo de passagem entre dois pontos.
Clip, Carregador ou Mag
Acessório onde se colocam as munições.
No caso do airsoft é onde se colocam as BB's para serem usadas na arma de jogo.
Existem com diversos formatos e com capacidades distintas.
No Airsoft são chamados de Low-cap (baixa capacidade), High-cap (capacidade alta), Real-Cap (capacidade real) e Drum boxes (Capacidades elevadas).

Cocking Handle - Ferrolho
Peça que permite carregar, recarregar e armar a arma.

CQB Close Quarters Battle ou Close Quarters Combat
CQB designa um conjunto de tácticas e metodologias usadas em combate de curso alcance. Estas tácticas diferem em muito das usadas em mato ou espaços abertos baseando-se muito na rapidez e agressividade da acção.

Delta Force
Uma das mais conhecidas forças especiais norte-americanas.

Double-Action
Tipo de recarregamento, tiro único e recarregamento manual integrado.
Para recarregar basta apenas puxar o gatilho, fazendo com que ao se puxar o gatilho a bala seja colocada em posição de disparo.

DPM - Disruptive Pattern Material
DPM é o nome oficial dado ao padrão de camuflagem usado pelo exército inglês.
O seu objectivo é quebrar as formas do corpo humano.
EBB Electric Blow-Back
É um tipo de réplica de airsoft com mecanismo de recarga "blow-back" que como o nome indica e alimentado electricamente por 4 pilhas 1.5v AA. Este sistema não é tão realístico como o sistema GBB.

US Atheletics Beretta F92 AEP

domingo, 16 de março de 2008

Todo o terreno

Hoje vou escrever sobre o todo o terreno!

Mentira... A minha experiência na matéria está longe de ser a suficiente para escrever sobre o assunto!

Foi um gosto que adquiri no serviço militar obrigatório graças aos muitos quilómetros efectuados ao volante dos Unimog 411, conhecidos na gíria pela alcunha de "burrito do mato", quantas e quantas vezes eles passaram em lugares onde muita gente pensava que uma viatura não poderia circular!
Daí e do meu gosto pelos espaço livres surgiu o óbvio desejo de um dia possuir uma viatura que me permitisse circular fora das estradas normais.

À falta de orçamento para isso, muitas vezes são os automóveis que conduzo que se transformam em improvisadas viaturas todo o terreno, com os inevitáveis problemas para a sua estrutura e ou mecânica, que muitas vezes se tornam bem dolorosos para o meu orçamento.

Neste momento a viatura dos meus sonhos é produzida no país vizinho, é um clone da viatura adoptada pelas forças militares americanas o Humvee, ou da sua versão civil o Hummer.
Neste caso trata-se de um Uro Vamtac:






sábado, 15 de março de 2008

O sacramento da confissão

Hoje em Grândola, foi dia de confissões para a preparação dos católicos da paróquia para as celebrações da Semana Santa.

Regressado a casa, pus-me a pensar, se este é um momento de relevo na minha prática religiosa, também seria digno de algumas linhas no blog.

O que é a Confissão?
Vejamos os que diz uma fonte não religiosa, a Wikipédia:

A confissão, reconciliação, sacramento da penitência ou sacramento do perdão é um sacramento que envolve a admissão de pecados perante um padre, presbítero ou bispo que neste momento actua em nome de Cristo, e o recebimento do perdão das faltas confessadas e de uma penitência.
Arrependimento
Segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, além do perdão dos pecados conferido pelo Baptismo, é necessário o sacramento da penitência "porque a nova vida da graça, recebida no Baptismo, não suprimiu a fragilidade da natureza humana nem a inclinação para o pecado (isto é, a concupiscência), Cristo instituiu este sacramento para a conversão dos baptizados que pelo pecado d’Ele se afastaram." (n. 297).
Os actos do penitente são "um diligente exame de consciência; a contrição (ou arrependimento), que é perfeita, quando é motivada pelo amor a Deus, e imperfeita, se fundada sobre outros motivos, e que inclui o propósito de não mais pecar; a confissão, que consiste na acusação dos pecados feita diante do sacerdote; a satisfação, ou seja, o cumprimento de certos actos de penitência, que o confessor impõe ao penitente para reparar o dano causado pelo pecado." (n. 303).
"Devem-se confessar todos os pecados graves ainda não confessados, dos quais nos recordamos depois dum diligente exame de consciência. A confissão dos pecados graves é o único modo ordinário para obter o perdão." (n. 304)
A penitência desempenha a função de perdoar os pecados do indivíduo, e assim alcançando a absolvição ou o perdão de Deus. 
Cuidados pastorais


Sobre este sacramento Bento XVI na Exortação apostólica Sacramentum Caritatis, ( n.21) disse: "O Sínodo lembrou que é dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recuperação da pedagogia da conversão que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fiéis a confissão frequente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e competência à administração do sacramento da Reconciliação, limitando a prática da absolvição geral exclusivamente aos casos previstos, permanecendo como forma ordinária de absolvição apenas a pessoal."
Exame de consciência
  • Amar a Deus sobre todas as coisas. Não ter outros deuses.
  • Não tomar o nome de Deus em vão.
  • Guardar os dias sagrados e festivos.
  • Não fazer ídolos para adoração.
  • Honrar pai e mãe.
  • Não matar.
  • Não pecar contra a castidade.
  • Não furtar.
  • Não levantar falso testemunho.
  • Não cobiçar a mulher do próximo.
  • Não cobiçar as coisas alheias.
in Wikipédia
 
Porque devemos nos confessar.


Deus, no seu amor paternal, deseja que todos os pecadores voltem para junto dele. Ele quer que nos afastemos dos nossos pecados, que nos convertamos a ele, nosso supremo Senhor e fim eterno. Jesus Cristo nos diz no Evangelho: “Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está perto.” (Mat. IV,17).

Mas para nos ajudar a fazer a penitência, Deus nos dá uma virtude especial para que tenhamos forças para nos arrependermos de nossos pecados. Essa força especial é a Virtude de Penitência.
Pela virtude de Penitência, que Deus coloca no nosso coração, Ele nos leva a reconhecer toda Sua bondade, toda Sua santidade e como nós O ofendemos e O deixamos triste quando cometemos nossos pecados. Só mesmo conhecendo a Santidade, a Justiça e o Amor de Deus é que podemos reconhecer como nossos pecados ofendem a Deus.
Deus quer que tenhamos grande arrependimento por nossos pecados.
O que quer dizer “se arrepender”?
Arrepender-se quer dizer não querer de maneira nenhuma continuar com a alma manchada pelo pecado, sentir uma dor profunda por ter traído a bondade de Deus, ter ofendido e entristecido a Deus, que nos ama tanto.
Na nossa família nós temos um bom exemplo do que é o arrependimento, quando deixamos nossos pais tristes e ofendidos. Logo vem aquela dor, aquela vergonha e, ao mesmo tempo, a certeza de que eles vão nos perdoar, se pedirmos desculpas, porque sabemos que eles nos amam muito. Com Deus também acontece assim. Com essa diferença: o arrependimento dos nossos pecados nos abre novamente as portas do Paraíso, nos devolve a amizade com nosso Deus, que morreu na Cruz para nos salvar.
Mas se não tivermos o arrependimento, será que Deus nos perdoará dos nossos pecados? É fácil perceber que sem um sincero arrependimento, Deus não pode nos perdoar.
Há vários tipos de arrependimento pelo pecado:
  • Arrependimento humano: estamos arrependidos porque temos medo do castigo que receberemos de nossos pais. Esse arrependimento humano nada adianta para o perdão dos pecados.
  • Arrependimento imperfeito: chama-se também contrição imperfeita ou atrição – estamos arrependidos porque temos medo do castigo de Deus.
  • Arrependimento perfeito: chama-se também contrição perfeita – estamos arrependidos não mais por causa do castigo dos pais ou de Deus, mas porque ofendemos a Deus, traímos o amor de Deus, nosso Pai tão bom e amoroso, nosso Redentor e Salvador. Esta dor é chamada perfeita porque vem do amor que sentimos por Deus. É essa contrição perfeita que nós manifestamos quando rezamos o Ato de Contrição. Devemos saber de cor o Ato de Contrição para rezá-lo no confessionário e também em todos os momentos de tentação e perigo de nossa vida.
Meu Deus, eu tenho muita pena de ter pecado, pois ofendi a Vós, meu sumo Bem, e mereci os castigos de Vossa justiça. Perdoai-me, Senhor, não quero mais pecar”.
Existe um Acto de Contrição mais bonito e mais completo:
«Senhor meu Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, criador e redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me Senhor, de todo o meu coração de Vos ter ofendido; pesa-me também de ter perdido o céu e merecido o inferno; e proponho firmemente, ajudado com o auxílio da Vossa divina graça, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Amém.»
Porém, só o arrependimento não basta! É preciso que ele seja acompanhado pelo bom propósito.
O que é o propósito?
É a vontade firme e sincera de não mais cometer aquele pecado.
Se tivermos a contrição perfeita e o firme propósito de não mais pecar, devemos esperar com toda confiança o perdão de Deus. Ele é infinitamente misericordioso, chegando até a enviar seu Filho, o Verbo Encarnado, Jesus Cristo, para morrer pagando nossos pecados.
Essa virtude de Penitência não serve apenas para que nasça em nosso coração o arrependimento e a dor por ter pecado. Ela nos ajuda ainda a realizar certos actos exteriores, as obras de penitência, que servem para diminuir a pena do Purgatório, que teremos de pagar antes de irmos para o Céu; serve para dominar nossas más inclinações, nossos defeitos dominantes; e, também, para nos fortificar no bem.
São obras de penitência: rezar, jejuar, dar esmolas, suportar com paciência os sofrimentos e contrariedades, aceitar os incómodos da vida. A melhor obra de penitência é receber o Sacramento da Penitência, que é a Confissão.
A confissão tem poder de cura


A confissão é importante o ano todo porque ela é justamente o sacramento que nos reconcilia. E ela tem o poder curativo em nós, quando descobrimos que a cada confissão a gente se propõe a uma mudança. Por isso ela é curativa e faz crescer.

Sempre que você se restaura de um erro, de uma fragilidade também se projecta para crescer, a partir daquilo. De forma muito especial, na Quaresma, porque é um tempo especifico de conversão - e na verdade a confissão é uma mola propulsora da conversão.

Se a gente se confessa com mais regularidade na Quaresma e leva a mais a sério as consequências da confissão, que é justamente a reconciliação e consequentemente o passo que a gente dá para superar o erro, vamos viver uma Quaresma muito mais santa, porque a vamos trazer o benefício do Sacramento neste tempo tão específico de conversão.

A alma de um computador

 Como tudo funciona?

Para um leigo, um computador pode até parecer uma máquina misteriosa, uma “caixa preta” onde de alguma forma mística são guardadas e processadas informações. Mas, de misterioso os computadores não têm nada. Tudo funciona de maneira ordenada, e até certo ponto simples.
Hoje em dia, quase toda gente com condições para pagar um curso, ou ter um PC em casa, aprende muito rápido como usar o Windows ou mesmo o Linux, aceder a Internet, ou seja, usar o micro. Mas, dentre todos estes utilizadores, poucos, muito poucos realmente entendem como a máquina funciona. O que muda entre um processador Pentium ou um Athlon por exemplo? Porque um PC com pouca memória RAM fica lento? Como funciona um disco rígido, e como é possível armazenar uma quantidade tão grande de dados num dispositivo tão pequeno? O que fazem as placas de vídeo 3D e em que tarefas elas são necessárias? Qual é a diferença entre uma placa de som “genérica” e outra que custa mais de 100 euros? Por que alguns modems são tão maus? Como um PC funciona??
Como funciona o sistema binário?

Existem duas maneiras de representar uma informação: analogicamente ou digitalmente. Uma música é gravada numa fita de cassete de forma analógica, codificada na forma de uma grande onda de sinais magnéticos, que pode assumir um número ilimitado de frequências. Um som grave seria representado por um ponto mais baixo da onda, enquanto um ponto mais alto representaria um som agudo. O problema com esta representação, é que qualquer interferência causa distorções no som. Se os computadores trabalhassem com dados analógicos, certamente seriam muito passíveis de erros, pois qualquer interferência, por mínima que fosse, causaria alterações nos dados processados e consequentemente nos resultados.
O sistema digital por sua vez, permite armazenar qualquer informação na forma de uma sequência de valores positivos e negativos, ou seja, na forma de uns e zeros. O número 181 por exemplo, pode ser representado digitalmente como 10110101. Qualquer tipo de dado, seja um texto, uma imagem, um vídeo, um programa, ou qualquer outra coisa, será processado e armazenado na forma de uma grande sequência de uns e zeros.
É justamente o uso do sistema binário que torna os computadores confiáveis, pois a possibilidade de um valor 1 ser alterado para um valor 0, o oposto, é muito pequena. Lidando com apenas dois valores diferentes, a velocidade de processamento também torna-se maior, devido à simplicidade dos cálculos.
Cada valor binário é chamado de “bit”, contracção de “binary digit” ou “dígito binário”. Um conjunto de 8 bits forma um byte e um conjunto de 1024 bytes forma um Kilobyte (ou Kbyte). O número 1024 foi escolhido pois é a potência de 2 mais próxima de 1000. Um conjunto de 1024 Kbytes forma um Megabyte (1048576 bytes) e um conjunto de 1024 Megabytes forma um Gigabyte (1073741824 bytes). Os próximos múltiplos são o Terabyte (1024 Gibabytes) e o Petabyte (1024 Terabytes)
Também usamos os termos Kbit, Megabit e Gigabit, para representar conjuntos de 1024 bits. Como um byte corresponde a 8 bits, um Megabyte corresponde a 8 Megabits e assim por diante.

1 Bit = 1 ou 0
1 Byte = Um conjunto de 8 bits
1 Kbyte = 1024 bytes ou 8192 bits
1 Megabyte = 1024 Kbytes, 1.048.576 bytes ou 8.388.608 bits
1 Gigabyte = 1024 Megabytes, 1.048.576 Kbytes, 1.073.741.824 bytes ou 8.589.934.592 bits


Quando vamos abreviar, também existe diferença. Quando estamos falando de Kbytes ou Megabytes, abreviamos respectivamente como KB e MB, sempre com o “B” maiúsculo. Quando estamos falando de Kbits ou Megabits abreviamos da mesma forma, porém usando o “B” minúsculo, “Kb”, “Mb” e assim por diante. Parece irrelevante, mas esta é uma fonte de muitas confusões. Sempre que nos referimos à velocidade de uma rede de computadores, por exemplo, não a medimos em bytes por segundo, e sim em bits por segundo: 10 megabits, 100 megabits e assim por diante. Escrever “100 MB” neste caso, daria a entender que a rede transmite a 100 megabytes, que correspondem a 800 megabits.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Olho, máquina e coração

No conto "A Aventura de um Fotógrafo", Antonini é um homem angustiado pela im­possibilidade de captar, através da fotografia, a essência das coisas. Nesta história, Ítalo Calvino (1993) ilustra com originalidade o corte e a fragmentação da realidade através da fotografia. Na medida em que o fotógrafo é obrigado a escolher apenas um momento e um ângulo determinado na continuidade do real, para Antonini, a única maneira de preservar vivências seria disparar pelo me-nos uma foto por minuto. Ininterruptamente, sempre e a cada instante fotografar.
A proposta absurda do protagonista do conto de Calvino nos faz pensar sobre algu­mas questões que resultam do corte que ori­gina as imagens fotográficas e em como esta fragmentação do tempo vivido se reflecte em nossa relação com a memória. Quando fo­tografamos determinamos uma ruptura, esta­belecemos os limites daquilo que queremos ver. Ao accionarmos o obturador, seleccionamos um instante e um espaço entre todos os outros possíveis. O resultado desta escolha é a fotografia. Esta selecção feita pelo fotógrafo torna-se, muitas vezes, a única referência de um passado esquecido, pois a imagem foto­gráfica pode ser guardada, revista, incessan­temente contemplada.
Partindo do quadro estático e bidimensio­nal que é a fotografia, iniciamos muitas ve­zes um longo percurso. Ela funciona como uma máquina que nos permite voltar ao pas­sado. Ao tornar-se perene, ao ser seu pró­prio contínuo, a fotografia nos transporta de um tempo cronológico a um tempo memo­rial afectivo, onde as lembranças fixadas na imagem substituem pessoas e acontecimen­tos reais que se perdem. Nessa viagem, no entanto, levamos o presente: nosso modo de ver, nosso corpo, nossa vivência. A subjectividade de nosso olhar constrói novos significados, transformando, com frequência, ima­gens aparentemente inalteráveis.
Para Fernando Braune (2000) esta capa­ cidade de estabelecer uma ruptura na conti­nuidade temporal faz inevitável uma aproxi­mação entre fotografia e simulacro, uma vez que o próprio tempo, de uma forma ou ou­tra, afasta a fotografia de nossa realidade. Ao longo dos anos a imagem fotográfica se re­veste não apenas de lembranças e de todo o manancial emotivo que elas evocam, mas também de uma excentricidade proporcional à distância que a apresenta em relação ao que somos e como percebemos o mundo no pre­sente.
Em outras palavras: com o decorrer dos anos, nossa percepção das coisas se altera, e com ela, nossos juízos de realidade e de valor. Na maior parte das vezes, lembrar é também uma maneira de recriar o passado. Como em uma ruína restaurada, novos e an­tigos materiais se misturam; o que desapare­ceu pode ser visualmente refeito, mas nunca trazido totalmente de volta.
A fotografia, como os espaços de nossa infância, depende do nosso olhar para construir significados. Como resulta de uma cisão determinada, com o passar do tempo ela perde suas amarras. Inserida em novos contextos, a fotografia se transforma em um fragmento difuso e intangível, aberto a qualquer tipo de leitura.
Amalia Creus