O espaço de devaneio de um açoriano que vive nas terras alentejanas...
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Os meus espaços
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Pentium
Assim como o 486, o Pentium é um processador de 32 bits, capaz de aceder a até 4 GB de memória RAM. Mas, novamente o processador trouxe várias melhorias que o tornaram muito mais rápido que a geração anterior. Não é à toa que o primeiro Pentium operava a apenas 60 MHz, e era, na época do lançamento, muito mais caro que um 486DX4-100. O Pentium é de 65 a 100% mais rápido que um 486 do mesmo relógio. Como o processador aritmético também foi completamente remodelado, o Pentium acaba sendo ainda mais rápido em aplicativos que demandam um grande número de cálculos.
Os processadores Pentium existiram em versões de 60 a 200 MHz, sempre utilizando multiplicação de relógio (com excepção apenas para as versões de 60 e 66 MHz):
Como na época dos computadores 486, as placas mãe para processadores Pentium (com excepção de placas muito antigas) suportam várias frequências de barramento e vários multiplicadores distintos. Na maioria dos casos é possível configurar a placa mãe para utilizar qualquer processador da família.
Os processadores Pentium existiram em versões de 60 a 200 MHz, sempre utilizando multiplicação de relógio (com excepção apenas para as versões de 60 e 66 MHz):
Como na época dos computadores 486, as placas mãe para processadores Pentium (com excepção de placas muito antigas) suportam várias frequências de barramento e vários multiplicadores distintos. Na maioria dos casos é possível configurar a placa mãe para utilizar qualquer processador da família.
in Manual de Hardware Completo
de Carlos E Marimoto
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Balaenoptera acutorostrata, Baleia-anã
Taxonomia
Mammalia, Cetacea, Misticeti, Balaenopteridae.
Tipo de ocorrência
Continente: Residente.
Açores: Visitante.
Classificação
Continente: VULNERÁVEL . VU (C2a(ii))
Fundamentação: A espécie tem uma população pequena (inferior a 10.000 indivíduos maturos); admite-se um declínio continuado no número de indivíduos maduros, e todos os indivíduos estão na mesma subpopulação.
Açores: INFORMAÇÃO INSUFICIENTE . DD
Fundamentação: Não existe informação adequada para avaliar o risco de extinção nomeadamente quanto ao tamanho da população e tendências de declínio.
Distribuição
A baleia-anã está amplamente distribuída em ambos os hemisférios, desde as regiões polares até às regiões subtropicais (Evans 1987, Leatherwood & Reeves 1983). Em anos recentes, o conhecimento da distribuição desta espécie no Atlântico Nordeste tem sido actualizado à medida que novos projectos vão sendo desenvolvidos em áreas a sul da Península Ibérica. Com efeito, alguns autores (Waerebeek et al. 1999) referem a possibilidade de a área de ocorrência na costa Noroeste de África se estender, pelo menos, até à Gâmbia.
No Continente, a espécie tem sido regularmente assinalada ao longo de todo o ano. Nos Açores, a sua presença está confirmada durante a Primavera e o Verão (dados não publicados, DOP . Univ. Açores).
População
A nível mundial, há três populações isoladas: a do Pacífico, a do Atlântico Norte e a do Hemisfério Sul (Evans 1987). Entre 1987 e 1995, a estimativa populacional para o Atlântico Norte (excluindo a costa do Canadá) foi de 149.000 indivíduos (IWC 2003) desconhecendo-se, no entanto, a tendência populacional.
Habitat
A baleia-anã encontra-se numa grande variedade de habitats marinhos, desde áreas costeiras a zonas pelágicas bastante afastadas da costa (Leatherwood & Reeves 1983). Nos Açores, tem sido avistada perto da costa ou em associação com montes submarinos (dados não publicados, DOP . Univ. Açores). No Continente, tem sido detectada próximo da orla costeira, chegando por vezes a entrar em portos e outras zonas relativamente confinadas.
Factores de Ameaça
No Atlântico Norte, a espécie ainda é caçada por alguns países, mas o facto de ser bastante abundante e de terem sido estabelecidas quotas anuais de captura não faz prever uma diminuição dos efectivos populacionais a médio-longo prazo. A sua dieta inclui várias espécies de valor comercial, pelo que a competição com pescadores e sobre-exploração de recursos piscícolas poderá ter impacto negativo ao nível populacional (Bogstad et al. 1997, Haug & Nilssen 1997, Skaug et al. 1997, Stefánsson et al. 1997). Capturas acidentais em redes de pesca e colisões com navios poderão causar algum impacto populacional, mas a amplitude destas ameaças é desconhecida (Clapham et al. 1999).
Na costa portuguesa, a baleia-anã está frequentemente envolvida em acidentes com artes de pesca utilizadas próximo da costa. Com efeito, e apesar de ser espécie de misticeto mais comum em Portugal Continental, a grande maioria dos animais arrojados ao longo da orla costeira mostram sinais de interacções com redes de emalhar ou cabos de covos ou alcatruzes. Apesar de não se conhecerem os efectivos populacionais, os actuais índices de mortalidade poderão, a longo prazo, contribuir para uma redução importante da população da baleia-anã presente na costa continental portuguesa.
Nos Açores, as actividades de observação de cetáceos poderão causar alguma alteração comportamental, mas não deverão constituir uma fonte de ameaça à conservação da espécie.
Medidas de Conservação
No Continente está em vigor legislação específica nacional de protecção de mamíferos marinhos, bem como transposição e regulamentação de legislação internacional. O .Guia de Identificação de Cetáceos. (Sequeira & Farinha 1998) foi produzido como material de divulgação.
Nos Açores, para além da legislação internacional em vigor, foi criada regulamentação para a actividade recreativa e comercial de observação de cetáceos. Estão ainda a ser realizadas campanhas de educação e sensibilização ambiental, no âmbito de projectos de investigação diversos.
Outra bibliografia consultada
Stewart & Leatherwood (1985).
Mammalia, Cetacea, Misticeti, Balaenopteridae.
Tipo de ocorrência
Continente: Residente.
Açores: Visitante.
Classificação
Continente: VULNERÁVEL . VU (C2a(ii))
Fundamentação: A espécie tem uma população pequena (inferior a 10.000 indivíduos maturos); admite-se um declínio continuado no número de indivíduos maduros, e todos os indivíduos estão na mesma subpopulação.
Açores: INFORMAÇÃO INSUFICIENTE . DD
Fundamentação: Não existe informação adequada para avaliar o risco de extinção nomeadamente quanto ao tamanho da população e tendências de declínio.
Distribuição
A baleia-anã está amplamente distribuída em ambos os hemisférios, desde as regiões polares até às regiões subtropicais (Evans 1987, Leatherwood & Reeves 1983). Em anos recentes, o conhecimento da distribuição desta espécie no Atlântico Nordeste tem sido actualizado à medida que novos projectos vão sendo desenvolvidos em áreas a sul da Península Ibérica. Com efeito, alguns autores (Waerebeek et al. 1999) referem a possibilidade de a área de ocorrência na costa Noroeste de África se estender, pelo menos, até à Gâmbia.
No Continente, a espécie tem sido regularmente assinalada ao longo de todo o ano. Nos Açores, a sua presença está confirmada durante a Primavera e o Verão (dados não publicados, DOP . Univ. Açores).
População
A nível mundial, há três populações isoladas: a do Pacífico, a do Atlântico Norte e a do Hemisfério Sul (Evans 1987). Entre 1987 e 1995, a estimativa populacional para o Atlântico Norte (excluindo a costa do Canadá) foi de 149.000 indivíduos (IWC 2003) desconhecendo-se, no entanto, a tendência populacional.
Habitat
A baleia-anã encontra-se numa grande variedade de habitats marinhos, desde áreas costeiras a zonas pelágicas bastante afastadas da costa (Leatherwood & Reeves 1983). Nos Açores, tem sido avistada perto da costa ou em associação com montes submarinos (dados não publicados, DOP . Univ. Açores). No Continente, tem sido detectada próximo da orla costeira, chegando por vezes a entrar em portos e outras zonas relativamente confinadas.
Factores de Ameaça
No Atlântico Norte, a espécie ainda é caçada por alguns países, mas o facto de ser bastante abundante e de terem sido estabelecidas quotas anuais de captura não faz prever uma diminuição dos efectivos populacionais a médio-longo prazo. A sua dieta inclui várias espécies de valor comercial, pelo que a competição com pescadores e sobre-exploração de recursos piscícolas poderá ter impacto negativo ao nível populacional (Bogstad et al. 1997, Haug & Nilssen 1997, Skaug et al. 1997, Stefánsson et al. 1997). Capturas acidentais em redes de pesca e colisões com navios poderão causar algum impacto populacional, mas a amplitude destas ameaças é desconhecida (Clapham et al. 1999).
Na costa portuguesa, a baleia-anã está frequentemente envolvida em acidentes com artes de pesca utilizadas próximo da costa. Com efeito, e apesar de ser espécie de misticeto mais comum em Portugal Continental, a grande maioria dos animais arrojados ao longo da orla costeira mostram sinais de interacções com redes de emalhar ou cabos de covos ou alcatruzes. Apesar de não se conhecerem os efectivos populacionais, os actuais índices de mortalidade poderão, a longo prazo, contribuir para uma redução importante da população da baleia-anã presente na costa continental portuguesa.
Nos Açores, as actividades de observação de cetáceos poderão causar alguma alteração comportamental, mas não deverão constituir uma fonte de ameaça à conservação da espécie.
Medidas de Conservação
No Continente está em vigor legislação específica nacional de protecção de mamíferos marinhos, bem como transposição e regulamentação de legislação internacional. O .Guia de Identificação de Cetáceos. (Sequeira & Farinha 1998) foi produzido como material de divulgação.
Nos Açores, para além da legislação internacional em vigor, foi criada regulamentação para a actividade recreativa e comercial de observação de cetáceos. Estão ainda a ser realizadas campanhas de educação e sensibilização ambiental, no âmbito de projectos de investigação diversos.
Outra bibliografia consultada
Stewart & Leatherwood (1985).
in Livro Vermelho dos Vertebrados
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Gritos e aplausos
A Pólvora Negra: cada escuteiro finge ter nas suas mãos um mosquete. Calmamente, seguindo silenciosamente os movimentos do Animador, deitam a pólvora com cuidado para dentro do cano, calcam-na várias vezes, erguem o mosquete ao ombro, apontam para o céu e aguardam a ordem do animador. Este diz: "Prontos? Fogo!!!" e todos gritam "BANG!!!", ao mesmo tempo que fingem o impacto do disparo da arma no ombro.
Foguetão: começa a contagem decrescente de 6 para 1, e a cada número vai-se dobrando cada vez mais os joelhos até ficar na posição de cócoras. No fim da contagem, saltam para o ar gritando "VROUMM!..."
Arco e Flecha: os escuteiros seguem silenciosamente os movimentos do Animador, tirando calmamente uma seta da aljava atrás das costas, colocam-na na corda do arco, esticam-no e disparam a seta dizendo "PFFFTT".
O Ornitólogo: este aplauso começa com o animador (ou outro escuteiro qualquer que queira iniciar o Grito) a gritar "Olha ó passarinho!". Todos os escuteiros colocam as mãos debaixo dos sovacos e agitam os braços como as asas de uma ave, enquanto imitam o som de uma ave à sua escolha (águia, perú, galinha, pardal, canário, cuco, rola, pato, etc.) três vezes seguidas.
Arco e Flecha: os escuteiros seguem silenciosamente os movimentos do Animador, tirando calmamente uma seta da aljava atrás das costas, colocam-na na corda do arco, esticam-no e disparam a seta dizendo "PFFFTT".
O Ornitólogo: este aplauso começa com o animador (ou outro escuteiro qualquer que queira iniciar o Grito) a gritar "Olha ó passarinho!". Todos os escuteiros colocam as mãos debaixo dos sovacos e agitam os braços como as asas de uma ave, enquanto imitam o som de uma ave à sua escolha (águia, perú, galinha, pardal, canário, cuco, rola, pato, etc.) três vezes seguidas.
domingo, 22 de agosto de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Tamanho do sensor
O tamanho universal de uma fotografia em película das câmaras reflex ou SLR é de 35mm de comprimento (a diagonal é de 43mm). Herdado deste formato standard no início do século XX, os sensores de fotografia tem aproximadamente essa medida. Embora, a maioria das câmaras DSLR não disponham de um sensor desse tamanho, mas sim mais pequeno, por isso se produz uma perda ou redução do campo de visão dos sensores mais pequenos. Este formato de sensor chama-se APS. Os sensores de 35mm chamam-se Full Frame ou de fotografia completo.
Isto afecta a distância focal das nossas objectivas, já que ao sofrerem as imagens uma redução, as distâncias focais que tem não são para efeitos práticos as que podemos ver nas nossas fotos.
Cada sensor tem o que chamamos um factor de equivalência para poder converter as distâncias focais das nossas objectivas às distâncias focais efectivas. Assim, multiplicando pelo dito factor de equivalência obtemos a distância focal real da foto.
Exemplo:
Isto afecta a distância focal das nossas objectivas, já que ao sofrerem as imagens uma redução, as distâncias focais que tem não são para efeitos práticos as que podemos ver nas nossas fotos.
Cada sensor tem o que chamamos um factor de equivalência para poder converter as distâncias focais das nossas objectivas às distâncias focais efectivas. Assim, multiplicando pelo dito factor de equivalência obtemos a distância focal real da foto.
Exemplo:
- A 1DS Mark III da Canon é full frame, pelo que o seu factor de equivalência é 1. Assim uma objectiva de 50mm é com efeito de 50mm.
- Se utilizamos a mesmo objectiva na 1D Mark III (a 1D normal, não a 1Ds), que tem um factor de equivalência de 1,3, esses 50mm equivaleriam a 50 x 1,3 = 65mm.
- A mesmo objectiva na 450, que tem um factor de equivalência de 1,6, equivaleria a 50 x 1,6 = 80mm. Da mesma forma uma objectiva 17‐50mm equivaleria a uma 27‐80mm tradicional.
O que é melhor? APS ou Full Frame? Pois uma vez mais depende de para que o utilizamos. Se utilizamos a câmara para fotografia de interiores provavelmente preferiremos ter um sensor full frame que permite utilizar um olho de peixe de 12mm reais que não se convertem em 20mm. E igualmente se utilizamos a câmara para fotografia de desporto preferiríamos um sensor APS, donde uma teleobjectiva 300mm se converte numa de 480mm ao mesmo preço e com menos peso. Isso sim, olho ao comprar objectivas, que nem todas servem para full frame.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Pipeline
Até o 386, os processadores da família x86 eram capazes de processar apenas uma instrução de cada vez. Uma instrução simples podia ser executada em apenas um ciclo de relógio, enquanto instruções mais complexas demoravam vários ciclos de relógio para serem concluídas. Seria mais ou menos como montar um carro de maneira artesanal, peça por peça.
Para melhorar o desempenho do 486, a Intel resolveu usar o pipeline, uma técnica inicialmente usada em processadores RISC, que consiste em dividir o processador em vários estágios distintos.
O 486, possui um pipeline de 5 níveis, ou seja, é dividido em 5 estágios.
Quando é carregada uma nova instrução, ela primeiramente passa pelo primeiro estágio, que trabalha nela durante apenas um ciclo de relógio, passando-a adiante para o segundo estágio. A instrução continua então sendo processada sucessivamente pelo segundo, terceiro, quarto e quinto estágios do processador. A vantagem desta técnica, é que o primeiro estágio não precisa ficar esperando a instrução passar por todos os demais para carregar a próxima, e sim carregar uma nova instrução assim que se livra da primeira, ou seja, depois do primeiro pulso de relógio.
As instruções circulam dentro do processador na ordem em que são processadas. Mesmo que a instrução já tenha sido processada ao passar pelo primeiro ou segundo estágio, terá que continuar seu caminho e passar por todos os demais. Se por acaso a instrução não tenha sido completada mesmo após passar pelos 5, voltará para o primeiro e será novamente processada, até que tenha sido concluída.
Desta maneira, conseguimos que o processador seja capaz de processar simultaneamente, em um único ciclo de relógio, várias instruções que normalmente demorariam vários ciclos para serem processadas. Voltando ao exemplo do carro, seria como se trocássemos a produção artesanal por uma linha de produção, onde cada departamento cuida de uma parte da montagem, permitindo montar vários carros simultaneamente.
O uso dos 5 estágios de pipeline no 486 não chega a multiplicar por cinco a performance do processador, na verdade a performance não chega nem mesmo a dobrar, mas o ganho é bem significativo.
Para melhorar o desempenho do 486, a Intel resolveu usar o pipeline, uma técnica inicialmente usada em processadores RISC, que consiste em dividir o processador em vários estágios distintos.
O 486, possui um pipeline de 5 níveis, ou seja, é dividido em 5 estágios.
Quando é carregada uma nova instrução, ela primeiramente passa pelo primeiro estágio, que trabalha nela durante apenas um ciclo de relógio, passando-a adiante para o segundo estágio. A instrução continua então sendo processada sucessivamente pelo segundo, terceiro, quarto e quinto estágios do processador. A vantagem desta técnica, é que o primeiro estágio não precisa ficar esperando a instrução passar por todos os demais para carregar a próxima, e sim carregar uma nova instrução assim que se livra da primeira, ou seja, depois do primeiro pulso de relógio.
As instruções circulam dentro do processador na ordem em que são processadas. Mesmo que a instrução já tenha sido processada ao passar pelo primeiro ou segundo estágio, terá que continuar seu caminho e passar por todos os demais. Se por acaso a instrução não tenha sido completada mesmo após passar pelos 5, voltará para o primeiro e será novamente processada, até que tenha sido concluída.
Desta maneira, conseguimos que o processador seja capaz de processar simultaneamente, em um único ciclo de relógio, várias instruções que normalmente demorariam vários ciclos para serem processadas. Voltando ao exemplo do carro, seria como se trocássemos a produção artesanal por uma linha de produção, onde cada departamento cuida de uma parte da montagem, permitindo montar vários carros simultaneamente.
O uso dos 5 estágios de pipeline no 486 não chega a multiplicar por cinco a performance do processador, na verdade a performance não chega nem mesmo a dobrar, mas o ganho é bem significativo.
in Manual de Hardware Completo
de Carlos E Marimoto
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Accipiter gentilis, Açor
Taxonomia
Aves, Accipitriformes, Accipitridae.
Tipo de ocorrência
Residente.
Classificação
VULNERÁVEL . VU (D1)
Fundamentação: População reduzida (inferior a 1.000 indivíduos maturos).
Distribuição
A área de distribuição desta espécie é muito vasta, estendendo-se de um modo contínuo por grande parte do Holárctico (del Hoyo et al. 1994). O açor distribui-se por uma área bastante grande em Portugal continental, a qual deverá ser superior àquela que é evidenciada no atlas de Rufino (1989) ou no Novo Atlas (ICN dados não publicados).
Este facto deve-se à dificuldade da metodologia dos atlas em representar a dispersão real no terreno de algumas espécies, nomeadamente as aves florestais de comportamento mais discreto, devido à sua metodologia, poucas e curtas visitas às quadrículas, sem esforço especialmente dirigido a espécies deste tipo. No Centro e Norte do país a distribuição do açor é mais contínua da que vem representada nos atlas e tem uma população mais densa. A espécie também existe em largas áreas do Sul (Alentejo e serras algarvias), embora a sua presença aqui seja bastante mais dispersa, bem como a sua densidade (Palma et al. 1999a), encontrando-se ausente nalgumas regiões.
População
Tal como para grande parte das aves de rapina florestais do país, nunca se fez um censo específico e completo para esta espécie a nível nacional, com base em amostragem e metodologia apropriadas. A única estimativa existente é a de Palma et al. (1999a), a qual apontava para uma população de 200-300 casais, que se pensa estar em declínio, devido à destruição e escassez crescente do seu habitat preferido, os pinhais bravos de alto-fuste. Atendendo à grande perda de pinhal que se tem verificado nos últimos anos devido aos incêndios florestais e que em 2003 tiveram uma incidência particularmente grave, é provável que uma parte não desprezável da população indicada por Palma et al. (1999a) tenha sido directamente afectada.
Em termos de estatuto de ameaça a nível da Europa, a espécie é considerada Não Ameaçada, embora se apresente em declínio em alguns países europeus (BirdLife International 2004).
Habitat
No sul de Portugal o açor encontra-se quase sempre nos barrancos arborizados de cursos de água, mas nalgumas zonas, como na Comporta, cria também em pinhal-bravo e terrenos planos. No centro e norte do país o principal habitat de nidificação do açor é composto por pinhais-bravos adultos e possuidores de árvores de grande porte, por bosques e bosquetes de folhosas autóctones (e.g. carvalhais maduros) e, por vezes, em eucaliptais. Circundantes às formações arbóreas onde nidifica, encontram-se terrenos abertos de mato, culturas agrícolas e pastagens (Rufino 1989, Pimenta & Santarém 1996, Silva 1998), onde tende a caçar perto das orlas. Evita as paisagens demasiado compartimentadas ou demasiado contínuas (Rufino 1989), mas em áreas predominantemente florestais, como a região de Mira ou o Pinhal de Leiria (onde a cobertura pinhal é superior a 85%), quantificaram-se ainda assim densidades de açor da ordem dos 4-5 casais (Petronilho 2001a) e 2-3 casais (Onofre et al. 1999) por 100 km2.
Os incêndios florestais, mas também a sua reconversão para eucaliptal de curtas rotações, têm provocado um declínio acentuado do habitat principal do açor, o pinhal-bravo, em particular aquele constituído por arvoredo mais maduro, com 40-50 anos. De acordo com as revisões do inventário florestal (DGF 2001), a área de pinheiro-bravo declinou, entre 1964 e 1995, em 323.000 ha. Este declínio em área tem continuado, sendo de realçar os 260.000 hectares de matas que terão sido destruídos em 2003, ano em que a área ardida foi 4 vezes superior à média anual verificada entre 1980 e 2004 (DGRF 2005).
Factores de Ameaça
Os incêndios florestais que destroem áreas mais ou menos vastas de pinhal e outro arvoredo maduro são a principal ameaça para o açor em Portugal. A par com este factor de destruição, a reconversão para eucaliptal de curta rotação das antigas manchas de pinhal das serras da região Centro limita grandemente a adequação do habitat para efeitos de nidificação. Com efeito, salvo alguns exemplares de grande porte, a maioria dos eucaliptos e em particular os das plantações florestais, devido ao tipo de inserção e à fragilidade dos seus ramos, não providenciam as melhores condições para o suporte de ninhos de grandes dimensões e aqueles que neles são construídos caem com alguma facilidade aquando de ventos mais fortes (González 2004, Onofre N dados não publicados). O corte de povoamentos ou árvores onde a espécie nidifica, a perseguição através do abate directo, destruição de ninhos e o roubo de crias são outros factores que afectam a população portuguesa.
Por se tratar de um predador essencialmente ornitófago, o açor é uma espécie potencialmente sensível aos efeitos dos pesticidas e metais pesados, que poderão afectar o sucesso reprodutivo. Por outro lado, sendo o pombo (nomeadamente o doméstico Columba livia var. domestica), uma presa muito frequente na sua dieta (Petronilho & Vingada 2002), é provável que se verifique alguma morbilidade e mortalidade em resultado de Tricomoníase e Candidíase na população portuguesa. Por exemplo, na região de Mira, foram detectados juvenis no ninho infectados com Tricomoníase (J Petronilho, com. pess.).
Medidas de Conservação
As medidas de conservação para esta espécie prendem-se fundamentalmente com as políticas florestais de reordenamento, gestão e repovoamento florestal e de prevenção de incêndios. Importa promover espaços florestais diversificados, tanto ao nível dos cobertos arbóreos como de outros, e prevenir a ocorrência dos grandes incêndios florestais. Adicionalmente, o Manual de Boas Práticas Florestais deverá incorporar num futuro próximo medidas com vista à conservação das aves de rapina e do seu habitat, para além de outros valores naturais.
Deve ainda ser dinamizada a reflorestação com folhosas naturais e a conservação dos bosques e bosquetes de carvalhos (puros ou mistos), através da sensibilização ao recurso generalizado às Medidas Agro-Ambientais apropriadas. A reconversão para eucaliptal das antigas áreas de pinhal deve ser desencorajada, não devendo a rearborização com pinheiro-bravo deixar de ser apoiada.
Devem ser desenvolvidas campanhas de educação ambiental junto aos proprietários e gestores florestais e cinegéticos, madeireiros, resineiros, com vista à sensibilização destes para a conservação das aves de rapina.
Importa ainda reforçar a fiscalização e tornar a aplicação da lei mais efectiva, relativamente às infracções e crimes contra a natureza e as aves de rapina em particular. Neste aspecto, não devem ser esquecidos a fiscalização e um controlo apertado sobre os animais comercializados e utilizados em cetraria, nomeadamente sobre as suas proveniências.
Urge realizar estudos sobre biologia e ecologia da espécie, que são praticamente inexistentes, e investigar sobre os níveis e efeitos de pesticidas e metais pesados À semelhança das restantes espécies de rapinas florestais, é necessária a realização de censos ou programas de monitorização periódicos, de modo a avaliar e a seguir regularmente a população da espécie.
Aves, Accipitriformes, Accipitridae.
Tipo de ocorrência
Residente.
Classificação
VULNERÁVEL . VU (D1)
Fundamentação: População reduzida (inferior a 1.000 indivíduos maturos).
Distribuição
A área de distribuição desta espécie é muito vasta, estendendo-se de um modo contínuo por grande parte do Holárctico (del Hoyo et al. 1994). O açor distribui-se por uma área bastante grande em Portugal continental, a qual deverá ser superior àquela que é evidenciada no atlas de Rufino (1989) ou no Novo Atlas (ICN dados não publicados).
Este facto deve-se à dificuldade da metodologia dos atlas em representar a dispersão real no terreno de algumas espécies, nomeadamente as aves florestais de comportamento mais discreto, devido à sua metodologia, poucas e curtas visitas às quadrículas, sem esforço especialmente dirigido a espécies deste tipo. No Centro e Norte do país a distribuição do açor é mais contínua da que vem representada nos atlas e tem uma população mais densa. A espécie também existe em largas áreas do Sul (Alentejo e serras algarvias), embora a sua presença aqui seja bastante mais dispersa, bem como a sua densidade (Palma et al. 1999a), encontrando-se ausente nalgumas regiões.
População
Tal como para grande parte das aves de rapina florestais do país, nunca se fez um censo específico e completo para esta espécie a nível nacional, com base em amostragem e metodologia apropriadas. A única estimativa existente é a de Palma et al. (1999a), a qual apontava para uma população de 200-300 casais, que se pensa estar em declínio, devido à destruição e escassez crescente do seu habitat preferido, os pinhais bravos de alto-fuste. Atendendo à grande perda de pinhal que se tem verificado nos últimos anos devido aos incêndios florestais e que em 2003 tiveram uma incidência particularmente grave, é provável que uma parte não desprezável da população indicada por Palma et al. (1999a) tenha sido directamente afectada.
Em termos de estatuto de ameaça a nível da Europa, a espécie é considerada Não Ameaçada, embora se apresente em declínio em alguns países europeus (BirdLife International 2004).
Habitat
No sul de Portugal o açor encontra-se quase sempre nos barrancos arborizados de cursos de água, mas nalgumas zonas, como na Comporta, cria também em pinhal-bravo e terrenos planos. No centro e norte do país o principal habitat de nidificação do açor é composto por pinhais-bravos adultos e possuidores de árvores de grande porte, por bosques e bosquetes de folhosas autóctones (e.g. carvalhais maduros) e, por vezes, em eucaliptais. Circundantes às formações arbóreas onde nidifica, encontram-se terrenos abertos de mato, culturas agrícolas e pastagens (Rufino 1989, Pimenta & Santarém 1996, Silva 1998), onde tende a caçar perto das orlas. Evita as paisagens demasiado compartimentadas ou demasiado contínuas (Rufino 1989), mas em áreas predominantemente florestais, como a região de Mira ou o Pinhal de Leiria (onde a cobertura pinhal é superior a 85%), quantificaram-se ainda assim densidades de açor da ordem dos 4-5 casais (Petronilho 2001a) e 2-3 casais (Onofre et al. 1999) por 100 km2.
Os incêndios florestais, mas também a sua reconversão para eucaliptal de curtas rotações, têm provocado um declínio acentuado do habitat principal do açor, o pinhal-bravo, em particular aquele constituído por arvoredo mais maduro, com 40-50 anos. De acordo com as revisões do inventário florestal (DGF 2001), a área de pinheiro-bravo declinou, entre 1964 e 1995, em 323.000 ha. Este declínio em área tem continuado, sendo de realçar os 260.000 hectares de matas que terão sido destruídos em 2003, ano em que a área ardida foi 4 vezes superior à média anual verificada entre 1980 e 2004 (DGRF 2005).
Factores de Ameaça
Os incêndios florestais que destroem áreas mais ou menos vastas de pinhal e outro arvoredo maduro são a principal ameaça para o açor em Portugal. A par com este factor de destruição, a reconversão para eucaliptal de curta rotação das antigas manchas de pinhal das serras da região Centro limita grandemente a adequação do habitat para efeitos de nidificação. Com efeito, salvo alguns exemplares de grande porte, a maioria dos eucaliptos e em particular os das plantações florestais, devido ao tipo de inserção e à fragilidade dos seus ramos, não providenciam as melhores condições para o suporte de ninhos de grandes dimensões e aqueles que neles são construídos caem com alguma facilidade aquando de ventos mais fortes (González 2004, Onofre N dados não publicados). O corte de povoamentos ou árvores onde a espécie nidifica, a perseguição através do abate directo, destruição de ninhos e o roubo de crias são outros factores que afectam a população portuguesa.
Por se tratar de um predador essencialmente ornitófago, o açor é uma espécie potencialmente sensível aos efeitos dos pesticidas e metais pesados, que poderão afectar o sucesso reprodutivo. Por outro lado, sendo o pombo (nomeadamente o doméstico Columba livia var. domestica), uma presa muito frequente na sua dieta (Petronilho & Vingada 2002), é provável que se verifique alguma morbilidade e mortalidade em resultado de Tricomoníase e Candidíase na população portuguesa. Por exemplo, na região de Mira, foram detectados juvenis no ninho infectados com Tricomoníase (J Petronilho, com. pess.).
Medidas de Conservação
As medidas de conservação para esta espécie prendem-se fundamentalmente com as políticas florestais de reordenamento, gestão e repovoamento florestal e de prevenção de incêndios. Importa promover espaços florestais diversificados, tanto ao nível dos cobertos arbóreos como de outros, e prevenir a ocorrência dos grandes incêndios florestais. Adicionalmente, o Manual de Boas Práticas Florestais deverá incorporar num futuro próximo medidas com vista à conservação das aves de rapina e do seu habitat, para além de outros valores naturais.
Deve ainda ser dinamizada a reflorestação com folhosas naturais e a conservação dos bosques e bosquetes de carvalhos (puros ou mistos), através da sensibilização ao recurso generalizado às Medidas Agro-Ambientais apropriadas. A reconversão para eucaliptal das antigas áreas de pinhal deve ser desencorajada, não devendo a rearborização com pinheiro-bravo deixar de ser apoiada.
Devem ser desenvolvidas campanhas de educação ambiental junto aos proprietários e gestores florestais e cinegéticos, madeireiros, resineiros, com vista à sensibilização destes para a conservação das aves de rapina.
Importa ainda reforçar a fiscalização e tornar a aplicação da lei mais efectiva, relativamente às infracções e crimes contra a natureza e as aves de rapina em particular. Neste aspecto, não devem ser esquecidos a fiscalização e um controlo apertado sobre os animais comercializados e utilizados em cetraria, nomeadamente sobre as suas proveniências.
Urge realizar estudos sobre biologia e ecologia da espécie, que são praticamente inexistentes, e investigar sobre os níveis e efeitos de pesticidas e metais pesados À semelhança das restantes espécies de rapinas florestais, é necessária a realização de censos ou programas de monitorização periódicos, de modo a avaliar e a seguir regularmente a população da espécie.
in Livro Vermelho dos Vertebrados
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
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