terça-feira, 30 de novembro de 2010

Balaenoptera physalus, Baleia-comum

Taxonomia
Mammalia,  Cetacea,  Misticeti,  Balaenopteridae.
 
Tipo de ocorrência
Visitante.
 
Classificação
EM PERIGO . EN  (A1abd)  (adopção  da  categoria  IUCN  (1994))
Fundamentação: A espécie teve uma redução do tamanho da população de pelo menos 50% nos últimos 60-75 anos.

Distribuição
A baleia-comum é uma espécie cosmopolita pouco frequente em regiões tropicais (Leatherwood & Reeves 1983, Perry et al. 1999). Ao longo das costas europeias, uma  parte  da  sua  população  efectua  migrações  ao  longo  da  plataforma  continental em direcção ao Norte na Primavera, e para Sul no Outono. Estas migrações são efectuadas entre zonas de grande produtividade em latitudes altas e zonas de  águas  mais  quentes  em  latitudes  baixas,  onde  ocorrem  a  maior  parte  dos nascimentos. Alguns indivíduos efectuam migrações de menor amplitude e outros são, muito provavelmente, residentes, ocorrendo durante todo o ano a Oeste da Península  Ibérica  (Evans  1987).  Há  uma  população  residente  no  Mediterrâneo, mas  parece  estar  genética  e  reprodutivamente  isolada  da  população  Atlântica (Notarbartolo di Sciara et al. 2003).

No  Continente,  a  ausência  de  observações  regulares  em  zonas  oceânicas  não permite  estabelecer  nenhum  padrão  de  ocorrência.  Nos  Açores,  está  presente durante  a  Primavera  e  no  início  do  Verão  (dados  não  publicados,  DOP  .  Univ. Açores), provavelmente em migração para latitudes mais altas. Na Madeira, são observados  animais  ao  longo  de  todo  o  ano,  com  maior  incidência  durante  a Primavera  e  Verão.

População
Apesar de se considerar a existência de sete stocks no Atlântico, as suas fronteiras não estão bem definidas (Perry et  al. 1999), nem há estimativas de abundância fiáveis  para  a  espécie.  Não  é  conhecida  a  actual  tendência  populacional.

Habitat
A baleia-comum é encontrada numa grande variedade de habitats, desde áreas costeiras a águas pelágicas longe da costa (Evans 1987, Perry et al. 1999). Nos Açores, têm sido avistadas perto da costa ou em associação a montes submarinos (dados  não  publicados,  DOP  .  Univ.  Açores).  Na  Madeira,  as  baleias-comuns têm sido observadas próximo da costa, muitas vezes em alimentação, e em mar aberto.

Factores de Ameaça
Colisões com navios e capturas acidentais em redes de pesca poderão causar algum impacto populacional, mas a amplitude destas ameaças é desconhecida (Notarbartolo di Sciara et al. 2003, Perry et al. 1999).

Como  consequência  das  actividades  de  pesca,  a  competição  pelas  mesmas presas e a sobre-exploração dos recursos piscícolas poderão trazer problemas de conservação para a espécie (Perry et  al. 1999).

Embora a alimentação, a níveis tróficos mais baixos que o de outros cetáceos, se traduza  numa  menor  carga  relativa  de  contaminantes,  há  evidências  de  que  a contaminação por metais pesados e organoclorados poderá ter influência sobre a reprodução e aumentar a mortalidade dos indivíduos mais jovens (Notarbartolo di  Sciara  et  al.  2003).  Este  problema  deverá  ser  maior  em  zonas  fortemente industrializadas.

Nos  Açores  e  na  Madeira,  as  actividades  de  observação  de  cetáceos  poderão causar alguma alteração comportamental, mas não devem constituir uma ameaça.

Medidas de Conservação
No  Continente  está  em  vigor  legislação  específica  nacional  de  protecção  de mamíferos  marinhos,  bem  como  transposição  e  regulamentação  de  legislação internacional.  O  .Guia  de  Identificação  de  Cetáceos.  (Sequeira  &  Farinha  1998) foi produzido como material de divulgação. 

Nos Açores, para além da legislação internacional em vigor, foi criada regulamentação para a actividade recreativa e comercial de observação de cetáceos. Estão ainda  a  ser  realizadas  campanhas  de  educação  e  sensibilização  ambiental,  no âmbito de projectos de investigação diversos.

Na  Madeira,  para  além  da  legislação  internacional  em  vigor,  foi  implementada legislação regional de protecção. O Museu da Baleia dinamiza a investigação, a divulgação e sensibilização para a conservação dos cetáceos neste Arquipélago. No  âmbito  do  .Projecto  para  a  Conservação  dos  Cetáceos  no  Arquipélago  da Madeira., promove-se a avaliação dos efectivos populacionais, estudos de biologia e ecologia, bem como a avaliação das principais ameaças no sentido de apresentar às entidades competentes propostas de novas medidas de conservação e campanhas de educação e sensibilização ambiental. Uma das medidas de conservação actualmente em processo de implementação é o regulamento de adesão voluntária para as embarcações comerciais de observação de cetáceos no sentido de minimizar  o  impacto  desta  actividade  na  Região  Autónoma  da  Madeira.  Igualmente no âmbito daquele projecto, está a ser preparado um plano de monitorização das populações de cetáceos a longo prazo.

Nota
Devido aos hábitos migratórios desta espécie foi feita uma única avaliação a nível nacional, por se considerar que os indivíduos que ocorrem na Madeira, nos Açores e  no  Continente  fazem  parte  de  uma  mesma  população.  No  entanto  esta  assumpção  carece  de  ser  corroborada  por  trabalhos  de  definição  de  identidade populacional.

Outra bibliografia consultada
IUCN  (2004a);  Reeves et  al. (compilers) (2003).
in Livro Vermelho dos Vertebrados

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