sexta-feira, 11 de abril de 2014

Edição Fotográfica – Edição Geral

O painel do histórico do Lightroom,
no Módulo “Develop” (Revelar).
Em 1932, um grupo de jovens fotógrafos, incluindo Ansel Adams e Edward Weston, intitulado de f/64 defendeu a fotografia sem manipulação, em oposição à fotografia fortemente editada, tão em voga na época. O movimento cresceu e quando Edward Steiglitz publicou, na sua revista – Camera Work, o trabalho de Paul Strand, um fotógrafo adepto deste género de fotografia, escreveu: “…O trabalho é brutalmente directo. Desprovido de subterfúgio, desprovido de truques e de quaisquer “ismos”; desprovido de qualquer tentativa de iludir um público ignorante, incluindo os próprios fotógrafos. Estes fotógrafos são a própria expressão dos dias de hoje…” Este movimento ficou conhecido como “fotografia pura” (straight photography) e ainda hoje persistem ecos dos argumentos que gerou. Os pictorialistas de hoje são aqueles que usam o Photoshop para manipular as suas imagens de tal modo, que estas saem do campo da fotografia, entrando no reino das artes gráficas.

Existe uma indústria criada por estas pessoas, que oferece a revistas, páginas da Web, workshops, convenções, vídeos e livros, a conversão a técnicas obscuras de edição de imagem. Para muitos destes gurus, o conteúdo de uma imagem é menos importante que a sua manipulação. Passam tanto tempo a manipular as imagens que já têm, que quase deixam de capturar novas imagens. É útil compreender estes argumentos, porque o Aperture e o Lightroom são realmente ferramentas de fotografia pura, que o ajudam a colocá-la no seu contexto histórico. A expressão “fotografia pura” não quer dizer que não se possa tentar melhorar o aspecto de uma imagem. Na verdade, é raro existir uma fotografia digital que não precise de alguns ajustes. No entanto, o Photoshop tornou-se tão complexo, e tem tantas funcionalidades ligadas às artes gráficas, que houve uma abertura para a criação de programas que fossem ao mesmo tempo mais simples e mais “fotográficos” na sua filosofia. Os amadores avançados necessitaram de um programa mais intuitivo e fácil de aprender. Os profissionais necessitaram de um programa que lhes permitisse trabalhar mais eficientemente, especialmente ao lidar com um grande número de imagens. Assim nasceram o Aperture e o Lightroom, programas que enfatizam os procedimentos de edição global, que afectam toda a imagem.

Um aspecto interessante do Lightroom e do Aperture, é que quaisquer alterações feitas à imagem não modificam os píxeis originais, para que seja possível desfazer qualquer edição em qualquer altura. Este tipo de edição não-destrutiva é conseguida através do armazenamento das alterações na base de dados, em conjunto com a própria imagem. Quando uma imagem é aberta no Lightroom, este usa essa lista armazenada para reaplicar as alterações, para que estas sejam usadas quando exibe, imprime ou exporta a imagem. Basicamente, estes programas tratam as imagens como negativos digitais, e preservam-nos como tal. Sempre que pretender voltar a imagem à sua forma original, basta escolher a opção “Zero’d” no painel de predefinições do Lightroom.

O Lightroom e o Aperure foram projectados para fazer com que o trabalho com imagens RAW seja tão simples quanto com imagens JPEG. É possível mostrar, redimensionar, ajustar, adicionar palavras-chave, imprimir, e criar layouts de páginas Web, usando ambos os formatos, sem conversões intermédias. Ambos os programas permitem também trabalhar da mesma forma com outros formatos de imagem, incluindo TIFF e formato nativo do Photoshop, o PSD.

A anatomia do Lightroom.
Quando abrir o Lightroom, vai reparar que este é dividido em secções.

1. O menu do topo do ecrã dá acesso a vários comandos. Os comandos mudam consoante os módulos escolhidos.
 
2. O seleccionador de módulos na parte superior direita do ecrã, é onde se seleccionam as várias opções – A opção Library (Biblioteca) serve para para importar, organizar e escolher imagens para editar, a opção Develop (Revelar), para realizar ajustes nas imagens, a opção Slideshow para criar apresentações para visualizar no ecrã ou exportar para PDF, a opção Print (Imprimir) para ajustar as definições de impressão, e a opção Web, para criar galerias em Flash ou HTML. No lado esquerdo do ecrã, aparece uma placa de identificação e um monitor de progresso.
 
3. A área de visualização de imagens no centro do ecrã é onde são exibidas as imagens seleccionadas em todos os módulos.
 
4. Os painéis à esquerda e à direita da área de visualização de imagens, contêm ferramentas, layouts, e informações usadas no trabalho com imagens. Os painéis disponíveis mudam consoante os módulos escolhidos, para que tenha sempre acesso apenas às ferramentas necessárias à realização da tarefa em curso. Na maioria das situações, os painéis à esquerda mostram os conteúdos e os navegadores de predefinições, enquanto que os painéis à direita mostram as ferramentas necessárias à realização da tarefa em curso. É possível esconder ou expandir um painel, clicando no seu cabeçalho.
 
Arrastar o ponteiro das miniaturas (thumbnails),
na grelha de visualização, ajusta o tamanho das
imagens.
5. A barra de ferramentas tem botões onde pode clicar para aceder a diferentes funções, em diferentes módulos. Pode exibir e ocultar esta barra de ferramentas, usando a tecla T. Ao clicar na seta que aparece na parte direita desta barra de ferramentas, nos Módulos Library (Biblioteca) e Develop (Revelar), pode especificar quais ou botões a exibir.
 
Para exibir imagens para comparação,
na vista geral, deve-se clicar nas imagens
e premir a tecla Ctrl em simultâneo.
6. A tira de negativos no fundo do ecrã mostra as fotos contidas numa determinada pasta, colecções, colecções rápidas, ou conjunto de palavras- chave, mantendo-se no mesmo lugar, mesmo quando muda de módulo. A única forma de mudar as imagens mostradas é voltar à Biblioteca (Library).


Ícones usados para mudar a área de
conteúdos para grelha, lupa, vista geral
e comparação de imagens.
O Módulo Library
Na primeira vez que usar o Lightroom, deverá abrir a Biblioteca e importar fotografias das drives do seu sistema, ou directamente de uma câmara ou cartão de memória. Tem a opção de deixar as imagens guardadas no mesmo local (o que deverá fazer, quando importa fotografias de pastas guardadas no seu sistema), ou de as mover para uma pasta específica.

A grelha de visualização ou área da imagem, tem quatro módulos, que são acedidos através dos botões da barra de ferramentas (em baixo): grelha para as miniaturas, lupa para ampliar a imagem e comparar duas imagens lado a lado, e vista geral para comparar uma fotografia com um qualquer número de outras imagens. Na grelha de visualização, as miniaturas podem ser reguladas para vários tamanhos. Para comparar duas ou mais imagens na grelha, pode clicar sobre as suas miniaturas e premir a tecla Ctrl em simultâneo.
Módulos nos painéis à esquerda (em cima)
e à direita (em baixo) do ecrã.

A barra de ferramentas no Módulo Library (Biblioteca) apresenta botões que mudam a visualização na área dos conteúdos, estrelas para classificar as imagens, marcadores de selecção e rejeição, e botões de rotação de imagens.

Navegador de metadados.
Usar o histograma é uma boa forma de
localizar os pontos brancos, ou negros
de uma fotografia.
Botões do painel Navigator (Navegador) que
permitem escolher o tamanho de visualização
da imagem que está a ser editada.
As ferramentas Red-eye (olho vermelho) e
remove spots (remover manchas) são as
únicas ferramentas de edição local do
Lightroom. Todas as outras são ferramentas
de edição global.
  • Os botões de filmstrip acima das miniaturas mudam a vista na área dos conteúdos, navegam entre as imagens e accionam filtros para estrelas, marcadores e cores. As fotografias que não vão de encontro dos critérios escolhidos, são filtradas e não são mostradas.
  • O painel Navigator (Navegador) permite percorrer as imagens ampliadas.
  • O painel Library (Biblioteca) permite especificar se todas as imagens estão listadas, ou apenas as que pertencem à colecção rápida ou à importação anteriores.
  • No painel Find (Encontrar), é possível pesquisar fotografias, usando texto ou data como critérios de procura.
  • As fotografias importadas são listadas no painel Folders (Pastas).
  • O painel Collections (Colecções) permite agrupar fotografias relacionadas entre si, para um projecto.
  • O painel Keyword Tags (Etiquetas com palavras-passe) é onde selecciona as palavras-chave que atribuiu às imagens, de forma a serem mostradas apenas as fotografias com uma palavra-passe comum.
  • O painel Metadata Browser (Navegador de Metadados) permite encontrar facilmente imagens com metadados condizentes, tais como a câmara usada.
  • O painel Histogram (Histograma) mostra a distribuição de tons da imagem seleccionada e alguns dos parâmetros de câmara usados. É possível ajustar a gama tonal através dos ponteiros ou arrastando o próprio histograma.
  • O painel Quick Develop (Revelação Rápida) permite ajustar as imagens. As escolhas possíveis são descritas na secção sobre “O Módulo Develop (Revelar)”.
  • O painel Keywording (Atribuir paravras-chave) permite atribuir palavras- chave a fotografias seleccionadas.
  • O painel Metadata (Metadados) mostra os dados Exif e IPTC da imagem seleccionada e permite também adicionar-lhe metadados IPTC.
Painel Basic do Lightroom,
no Módulo Develop
(revelar).
O Módulo Develop (Revelar)
Para uma abordagem completa de todas as características do Lightroom, é necessário um livro dedicado apenas a este programa. No entanto, aqui abordaremos os procedimentos que aparecem na lista da secção de edição básica do Lightroom - os procedimentos em que todos os fotógrafos pensam para quase todas as imagens.
  • O painel Navigator (Navegador) permite especificar o tamanho da imagem e percorrer toda a área das fotografias de dimensões superiores às do ecrã.
  • O painel Presets mostra parâmetros armazenados que podem ser aplicados às imagens. É possível criar e salvar as suas próprias predefinições e estas são adicionados à lista de predifinições existentes.
  • O painel Snapshots (Instantâneos) permite nomear e guardar uma fotografia em qualquer altura do processo de edição, para que possa voltar mais tarde a esse ponto, clicando no nome que lhe atribuiu.
Tanto os presets que vêm com o
Lightroom, como os que são
posteriormente criados podem ser
aplicados a todas as imagem,
com um simples clique.
  • O painel History (Histórico) regista as alterações feitas às imagens, para que estas possam ser desfeitas mais tarde.
  • O painel Histogram (Histograma) mostra a distribuição de tons na imagem.
  • O painel Basic (Básico) contém ponteiros que podem ser usados para ajustar as cores e outras características das imagens (Esta secção é abordada em detalhe mais à frente)
  • O painel Tone Curve (Curva de tons) permite ajustar os tons de uma imagem: das altas luzes às sombras.
  • O painel HSL/ Color/ Grayscale (Matiz, brilho, saturação/ cor/ escala de cinzas) permite ajustar o matiz, brilho, saturação, as cores, e a escala de cinzas.
O selector de balanços de brancos
do Lightroom mostra as cores
dos píxeis para os quais aponta.


  • O painel Split Toning (separar tons) permite ajustar independentemente o matiz e a saturação nas altas luzes e nas sombras.
  • A opção Detail (detalhe) tem controlos para dar nitidez, suavizar e remover ruído de uma imagem.
  • A opção Lens Correction (correcção da objectiva) reduz os efeitos de franja e controla a vinhetagem.
  • A opção Camera Calibration (calibração da câmara) permite calibrar a sua câmara se verificar que o perfil genérico do Lightroom não vai de encontro às suas necessidades.

  • Revelar Imagens (Developing Images)
    A maior parte das alterações que realiza numa imagem é feita usando a secção Basic no Módulo Develop (revelar), portanto vale a pena abordá-lo com mais pormenor. Aqui estão descritas as funções de cada controlo.
    • Color/Grayscale (cor/ escala de cinzas) converte as fotografias seleccionadas para escala de cinzas, e de novo para cores.
    • A ferramenta White balance (balanço de brancos) é um selector (ícone conta-gotas) que permite seleccionar um píxel de tom neutro, para corrigir cambiantes de cor em toda a imagem. À medida que passa o ícone pela imagem, os píxeis que estão em baixo e à volta do selector, são ampliados e os valores RGB do píxel central são exibidos, para que possa escolher um píxel de tom neutro.
    Modelos de galerias
    Web. São ordenados
    alfabeticamente, e
    quando selecciona um
    modelo no menu, é
    mostrada uma
    pré‑vizualização.
    • As opções White balance (balanço de brancos), Temp (temperatura de cor) e Tint (tonalidade) permitem ajustar as cores de forma a que as áreas brancas ou cinzentas não tenham uma dominante de cor. A opção Temp (temperatura de cor) ajusta as cores entre amarelo e azul, e a opção Tint (tonalidade) entre verde e magenta. O menu drop-down da opção White balance (balanço de brancos) permite a escolha entre uma selecção de várias predefinições padronizadas de balanços de brancos. A predefinição que aparece por defeito designa-se por As Shot (como o original).
    • O botão Auto ajusta automaticamente os ponteiros para maximizar a gama tonal e minimizar a perda de informação nas altas luzes e sombras da imagem.
    • A opção Exposure (exposição) ajusta a gama tonal ou contraste da imagem, alterando o ponto branco, de forma a iluminar ou escurecer uma imagem. O ponto branco é onde os tons atingem o branco puro, sem informação (255). Ao ajustar a exposição, observe o histograma.
    • A opção Recovery (recuperar) permite recuperar a informação perdida nas altas luzes sem escurecer o resto da imagem.
    • A opção Fill light (luz de enchimento) permite iluminar apenas as áreas de sombra, sem afectar o resto da imagem.
    • A opção Blacks (negros) permite ajustar a gama tonal, alterando o ponto negro, de forma a iluminar ou escurecer a imagem. O ponto negro é onde os tons atingem o negro puro, sem informação (0). Ao ajustar os negros, observe o histograma.
    • A opção Brightness (luminosidade) ajusta os meio-tons (por vezes designados por gamma) para iluminar ou escurecer toda a imagem sem afectar os tons brancos e negros e os seus detalhes. O ponteiro desta opção tem, por defeito, um valor de +50.
    • A opção Constrast (contraste) permite ajustar simultaneamente os pontos branco e negro para aumentar o contraste da imagem.
    • A opção Vibrance (vibração) permite ajustar a saturação das cores primárias, não afectando os tons de pele e outras tonalidades secundárias. Isto permite fortalecer a saturação sem alterações irrealistas do matiz.A opção Saturation (saturação) permite ajustar a saturação de todas as cores da imagem.
    Os botões Sync (sincronizar) permitem copiar
    alterações feitas a uma imagem ou os
    seus metadados, para outras imagens.
    Outros Módulos
    Além dos módulos Library (biblioteca) e Develop (revelar) abordados anteriormente, o Lightroom dispõe de outros módulos dedicados à produção de imagens em vários formatos,
    • A opção Slideshow permite criar apresentações para visualizar no ecrã, ou exportar para PDF.
    • A opção Print (imprimir) permite criar disposições de imagens seleccionadas, e imprimi-las.
    • A opção Web permite criar galerias HTML ou Flash, utilizando modelos fornecidos com o Lightroom.
    Exportar
    Quando edita imagens no Lightroom, as suas alterações não as afectam permanentemente. No entanto, essas alterações tornam-se permanentes em versões exportadas da imagem. Quando exporta imagens existem várias opções.


    quinta-feira, 10 de abril de 2014

    VFS


    O Linux é provavelmente o sistema Operativo que suporta um maior número de sistemas de arquivos diferentes. Além do EXT2, EXT, Minix e Xia, são suportados os sistemas FAT 16 e FAT 32 do Windows, o HPFS do OS/2 além de vários outros sistemas como o proc, smb, ncp, iso9660, sysv, affs e ufs.

    O segredo para toda esta versatilidade é o uso do VFS ou “Virtual Filesystem”, um divisor de águas entre o sistema de arquivos e o Kernel e programas. A função do VFS é assumir toda a parte administrativa, traduzindo via software, todos os detalhes e estruturas do sistema de arquivos e entregando apenas os dados ao Kernel, que por sua vez, os entrega aos programas.

    Graças ao VFS, o Linux pode funcionar em qualquer um dos sistemas de arquivos suportados. É por isso que existem várias distribuições do Linux que podem ser instaladas em partições FAT 16 ou FAT 32 (como o Winlinux, que pode ser instalado numa pasta da partição Windows) e até mesmo inicializar directo do CD-ROM, sem a necessidade de instalar o sistema (neste caso, apenas para fins educativos ou para experimentar o sistema, já que não é possível gravar arquivos, entre várias outras limitações).

    Mas claro, também existem várias desvantagens. Ao ser instalado numa partição FAT 32, o Linux ficará muito mais lento, pois o VFS terá que emular muitas estruturas que não existem neste sistema.

    in Manual de Hardware Completo
    de Carlos E Marimoto


    quarta-feira, 9 de abril de 2014

    Froissartage - Ferramentas

    As ferramentas a utilizar no Froissartage são:
     
    Machada - A canadiana é a mais prática: aço de qualidade, forma ideal, fio impecável, cabo resistente e elástico, bem alinhado, bem adaptado à forma da mão, no conjunto bem equilibrada.

    Serra - É o instrumento mais eficaz para o trabalho do Froissartage. As serras de tubo metálico com lâmina sueca, são as melhores. Para diâmetros inferiores a 10 cm, um serrote para madeira verde, com os dentes espaçados, é o que basta.

    Duplo Metro - Dobrável ou de enrolar. Quantas construções ficariam mais perfeitas se se utiliza-se o metro para medir e marcar cada peça.

    Trados ou arcos de pua - com um conjunto de brocas para madeira de vários diâmetros (15, 20 e 25 mm). O orifício que receberá uma cavilha ou espiga não deve ter um diâmetro superior a 1/3 da largura da peça para não comprometer a sua solidez.

    Plaina de tanoeiro - indispensável para talhar as espias e as cavilhas. 

    Pedra de afiar - para afiar as lâminas da machada, serra e plaina.

    Maço - de madeira, tão seca e dura quanto possível, bem encabado e chafrado (arestas cortadas) para evitar que rache.

    Navalha - ou canivete suiço. 

    Grosa - útil para fazer o acabamento de algumas peças.
     
    Formão e goiva - a lâmina do formão é direita enquanto a goiva é redonda (para fazer orifícios em esculturas ou outros objectos). O formão é indespensável nas sambladuras.

    Bancadas de trabalho - são outras ferramentas que tu próprio poderás construir.


    terça-feira, 8 de abril de 2014

    Podiceps nigricollis, Cagarraz, Mergulhão-de-pescoço-preto

    Taxonomia
    Aves, Podicepediformes, Podicepedidae.

    Tipo de ocorrência
    Invernante.

    Classificação
    QUASE AMEAÇADO - NT* (D1)
    Fundamentação: Espécie com população invernante muito reduzida (entre 250 e 1.000 indivíduos maturos). No entanto, por ser um taxon visitante não reprodutor cujas condições não se estão a deteriorar nem fora nem no interior da região, o que leva a admitir um risco de extinção mais reduzido em Portugal, desceu uma categoria na adaptação à escala regional.

    Distribuição
    A subespécie nominal apresenta uma distribuição bastante alargada, ocorrendo desde Espanha até à China (Hagemeijer & Blair 1997). Contudo, a maioria da população concentra-se entre a região Central de França e o Sul da Rússia, ocorrendo nas áreas mais a norte da Europa, essencialmente entre os 45° e os 55° N.

    Existem diversos registos desta espécie em Portugal, dispersos pelo país, e com números mais significativos no estuário do Sado (Moore 1998).

    População
    Os registos publicados para esta espécie são relativamente escassos, mas estima-se que o efectivo invernante em Portugal não exceda os 1.000 indivíduos, geralmente dispersos pelo território (Moore 1998).

    As populações invernantes na Europa Ocidental apresentam-se estáveis ou em aumento (Wetlands International 2002). Esta tendência, juntamente com o facto de se admitir que o habitat não esteja em declínio em Portugal, levou a assumir um risco de extinção da população invernante no nosso território mais reduzido, tendo descido uma categoria na adaptação à escala regional. Em termos de estatuto de ameaça a nível da Europa, a espécie é considerada Não Ameaçada (BirdLife International 2004). Em Espanha, o efectivo parece manter-se estável, embora com grandes flutuações (Llimona & Mánez 2003).

    Habitat
    Durante o período de inverno, ocorre em zonas húmidas costeiras e de interior, com alguma preferência por água doce. Ocorre em albufeiras e pequenas charcas, observando-se ocasionalmente em salinas.

    Factores de Ameaça
    Não estão identificados factores de ameaça específicos para esta espécie. Estando estreitamente dependente de zonas húmidas, esta espécie é afectada por todas as intervenções que resultem na degradação da qualidade ambiental destas áreas, designadamente alterações dos níveis de água, eutrofização, contaminação por poluentes, presença de engenhos de pesca, caça entre outras.

    Medidas de Conservação
    Algumas das áreas de ocorrência integram a Rede Nacional de Áreas Protegidas, beneficiando assim da protecção atribuída a esses locais.

    in Livro Vermelho dos Vertebrados


    segunda-feira, 7 de abril de 2014

    G&P Long Breacher Shotgun - BK


    Marca: G&P
    Código do Produto: GP-SHG016
    Hop-Up: Fixo
    Peso: 3,190 kgs
    Comprimento: 935 mm
    Capacidade: 22 bb's
    Potência: 400 fps
    Fonte de Energia: Mola
    Blowback: Sim
    Modo de Tiro: Semi-automático

    Um shotgun extremamente popular, esta versão da M870 é provavelmente a shotgun com melhor aspecto que verá por uns tempos. A original é largamente usada pelas agências das forças da lei por todo o mundo. Você está olhando para uma M870 pump action calibre 6mm com Speed Stock da G&P.

    Ela vem com um punho G&P I.A. que é um punho ergonómico com várias melhorias em relação ao punho standard. A mais óbvia são as ranhuras para os dedos com padrão texturado no fundo mas menos óbvia é o aumento da massa na traseira do punho para o adaptar à sua mão e o mais espaço vertical para a mão entre os dedos polegar e indicador. Na traseira está uma coronha tubular que habitualmente encontra num sistema AR, mas que realmente serve a M870. 

    No topo está um rail de topo para se quiser adicionar uma óptica a ele. A M870 tem rails quádruplos e vem com um punho G&P Stubby para ajudar com o armar da shotgun.
    • Carregador de 22 bb's 
    • 400fps à saída da caixa
    • Corpo em metal com marcas realísticas
    • Coronha tubular
    • Construção sólida
    Esta shotgun tem um sistema de alimentação por carregador e não usa células externas.

    in


    sexta-feira, 4 de abril de 2014

    Avaliar as suas imagens – histogramas

    Existem dois tipos de histograma.
    A maioria das câmaras dispõe de
    um histograma que mostra apenas
    os valores gerais da luminosidade.
    Algumas criam histogramas RGB,
    que mostram o nível de brilho de
    cada uma das três cores –
    vermelho, verde e azul.
    Os programas de edição de imagem mais profissionais permitem o uso de um histograma como um guia, na edição das suas imagens. No entanto, como a maior parte das correcções de uma imagem podem ser diagnosticadas ao olhar para o histograma, é mais útil usá-lo quando ainda estamos numa situação em que podemos recapturar a imagem. É por esta razão que muitas câmaras mostram o histograma, logo na primeira visualização da imagem ou no modo de reprodução. Algumas câmaras permitem até a visualização do histograma enquanto compõe a cena, para que o possa usar como guia para seleccionar os parâmetros da câmara.

    Avaliar histogramas
    Como já vimos, qualquer pixel de uma imagem pode ter um de 256 níveis de brilho, desde o negro puro (255) até ao branco puro (0). O histograma mostra quais os níveis de brilho que existem na imagem e de que forma estão distribuídos. O eixo horizontal do histograma representa a escala de brilho, de 0 (sombras), à esquerda, a 255 (altas luzes) à direita. Este eixo é como uma linha com 256 espaços, em cada um dos quais são empilhados píxeis com a mesma luminosidade. Como estes são os únicos valores que podem ser capturados pela câmara, a linha horizontal, também representa o potencial máximo da gama tonal.

    O eixo vertical representa o número de píxeis existentes em cada um dos 256 valores de luminosidade. Quanto mais alta for a linha que parte do eixo horizontal, mais píxeis existem nesse nível de brilho.

    Ao ler um histograma, está a olhar para a distribuição dos píxeis. Aqui estão alguns aspectos que deve ter em conta:
    • As fotografias são melhores quando têm alguns píxeis em todas as posições, visto que a gama tonal está a ser abrangida na sua totalidade.
    • Em muitas imagens, os píxeis estão agrupados, ocupando apenas uma parte da gama tonal disponível. Estas imagens têm pouco contraste, porque a diferença entre as partes mais claras e mais escuras da imagem não é tão grande quanto poderia ser. No entanto, esta situação pode ser corrigida num programa de edição de imagem, ao usar comandos que espalham os píxeis, para que estes cubram a totalidade da gama tonal. Estes controles permitem ajustar as áreas de sombras, meios-tons e altas luzes independentemente, sem afectar as outras áreas da imagem. Isto permite escurecer ou iluminar áreas seleccionadas de uma imagem sem perda de detalhes. Os únicos píxeis que não podem ser ajustados desta maneira são os que têm um dos valores de brilho extremos – branco ou preto puros.
    Aqui estão algumas questões a considerar quando ajusta o histograma ao
    tirar uma fotografia.
    • Se o histograma tem mais píxeis no lado esquerdo (sombras) do gráfico, deve aumentar-se o valor de exposição, através da sua compensação (abordada no próximo capítulo).
    • Se o histograma tem mais píxeis no lado direito (altas luzes) do gráfico, deve usar a compensação da exposição para a reduzir.
    A imagem original (em cima) é monótona e o seu histograma indica
    que apenas uma parte da gama tonal está a ser utilizada. Na
    imagem de baixo, foi usado um programa de edição de imagem
    para expandir a gama tonal. É possível ver a mudança tanto na
    imagem como no histograma.
    Aviso de altas luzes
    Uma das situações a evitar é sobre-expor as altas luzes de tal maneira, que
    a imagem perca informação ou detalhes. Para o ajudar, muitas câmaras mostram um aviso de altas luzes quando reproduzem as imagens. As áreas que estão tão sobre-expostas, que não têm detalhe, piscam ou são delineadas com cor.

    Píxeis sem informação
    Quando um histograma mostra píxeis nos extremos da escala de luminosidade (nas posições 0 e 255), quer dizer que os detalhes que existiam nessas áreas foram perdidos, e estas ficaram sem informação.

    Estes extremos só se devem apresentar em reflexos (altas luzes) e pequenas zonas de sombra. A qualidade da imagem diminui quando existem extensas áreas sem informação.

    Na imagem de topo podemos ver através do histograma
    que alguns dos pixéis são branco puro, e como tal não têm
    informação. Não pode fazer mais nada para recuperar
    estes pixéis. No entanto, se fotografar uma nova imagem,
    com uma exposição diferente, consegue recolocar o
    histograma na zona central e assim evitar este problema.
    Repare na imagem de baixo.
    Para evitar a perda de informação, e melhorar a distribuição dos valores tonais em próximas fotografias, usa-se a compensação da exposição. Aumentar a exposição faz com que os píxeis se movam para a área das altas luzes do histograma (extremo direito). Diminuir a exposição faz com que os píxeis se movam no sentido contrário. A menos que pretenda obter áreas de brancos ou negros puros, deve usar a compensação da exposição para que não existam píxeis sem informação (com valores 0 ou 255) na imagem. Isto dá-lhe depois a oportunidade de corrigir a imagem no seu programa de edição.

    Estas fotografias foram tiradas usando uma diferença de um stop entre elas, usando a compensação da exposição. À medida que o valor de exposição aumenta, os píxeis movem-se para o lado direito do histograma. É possível ver as alterações no tempo de obturação, feitas na compensação da exposição, no movimento das lâminas da ventoinha. A imagem em que o tempo de obturação foi mais curto, está mais escura e as lâminas parecem paradas. À medida que se aumentou o tempo de obturação, para aumentar o valor da exposição, as imagens vão ficando mais luminosas e é visível o movimento das lâminas.

    Amostras de histogramas
    O aspecto de um histograma depende da cena fotografada e na forma de expor. À excepção dos histogramas que mostram áreas sem informação, não existem bons ou maus histogramas. A qualidade de um histograma depende daquilo que pretende obter. De facto, pode preferir confiar na sua reacção visual à imagem, em vez de na informação demasiado numérica mostrada num histograma. No entanto, mesmo que nunca o utilize, é possível aprender muito sobre fotografia digital, ao compreender aquilo que um histograma pode dizer sobre uma imagem. De seguida são mostrados alguns histogramas referentes a boas fotografias, bem como um pequeno resumo daquilo que nos revelam.


    A maioria das tonalidades desta imagem de uma traça castanha colocada sobre um cartão cinzento são de um valor médio. É esta a razão pela qual existem muitas linhas verticais agrupadas no meio do eixo horizontal do histograma.


    Esta traça castanha sobre um cartão cinzento tem a maioria dos seus tons no centro do histograma.

    Esta cena de nevoeiro em high-key (dominada por tons luminosos) tem uma maioria de tons na zona das altas luzes. Na realidade, não existem tonalidades escuras nesta imagem. Esta usa apenas pouco mais que metade da gama dinâmica da câmara.
    A linha vertical à esquerda da área dos cinzentos médios, mostra a quantidade de píxeis que existem na moldura cinzenta uniforme, que foi adicionada num programa de edição de imagem.

    A maioria dos tons desta cena em low-key (dominada por tons escuros) situa-se na área de sombras, existindo também outro grande agrupamento perto do cinzento médio. Existem muitos valores de luminosidade que têm apenas alguns píxeis.

    quinta-feira, 3 de abril de 2014

    Sistema EXT2


    O EXT2 é o sistema de arquivos utilizado na grande maioria das distribuições Linux. Na verdade, o EXT2 já está de certa forma ultrapassado, pois já existe um sucessor, o EXT3, que veremos com detalhes mais adiante. Apesar das vantagens, ainda não se sabe se o EXT3 realmente virá a substituir o EXT2.


    O sistema de arquivos do Linux passou por uma grande evolução desde sua aparição. Na verdade, nos estágios primários de desenvolvimento, o Linux utilizava um sistema de arquivos bem mais antigo, o Minix filesytem. O Minix é um mini Unix, que Linux Torvalds usou como base nos estágio primários do desenvolvimento do Linux. Mas, o Minix filesytem possuía várias limitações, mesmo para a época. Os endereços dos blocos de dados tinham apenas 16 bits, o que permitia criar partições de no máximo 64 megabytes. Além disso, o sistema não permitia nomes de arquivos com mais de 14 caracteres. Não é de se estranhar que em pouco tempo o Linux ganharia seu sistema de arquivos próprio, o Extended File System, ou simplesmente EXT, que ficou pronto em Abril de 92 a tempo de ser incluído no Kernel 0.96c.

    Nesta primeira encarnação, o EXT permitia a criação de partições de até 2 GB e suportava nomes de arquivos com até 255 caracteres. Foi um grande avanço, mas o sistema ainda estava muito longe de ser perfeito. Logo começariam a aparecer no mercado discos rígidos com mais de 2 GB e o sistema não tinha um bom desempenho, além da fragmentação dos arquivos ser quase tão grande quanto no sistema FAT. Em resposta a estes problemas, surgiu em Janeiro de 93, o EXT2 que finalmente viria a tornar-se o sistema de arquivos definitivo para o Linux.


    O EXT2 trouxe o suporte a partições de até 4 Terabytes, manteve o suporte a nomes de arquivos com até 255 caracteres, além de vários outros recursos, que veremos a seguir. Uma coisa interessante é que no Linux os arquivos não precisam necessariamente ter uma extensão. É claro, possível ter extensões como .ps, .gif, etc. de facto, a maioria dos programas gera arquivos com extensões, como no Windows. A diferença é que no Linux, as extensões são apenas parte do nome do arquivo, não um item obrigatório. Por este motivo, é possível criar arquivos com vários caracteres após o ponto, ou mesmo não usar ponto algum. No Linux, o mais importante são os atributos do arquivo, são eles que fazem com que o arquivo seja executável ou não por exemplo.

    Isto é mais seguro e traz uma flexibilidade maior, apesar de ser um pouco confuso no início.

    in Manual de Hardware Completo
    de Carlos E Marimoto


    quarta-feira, 2 de abril de 2014

    Froissartage ou Ligações

    Enquanto que esta técnica do froissartage possibilita certo tipo de trabalhos, tem também as suas desvantagens. Vejamos uma comparação entre a utilização de ligações com sisal e a técnica de friossartage:

    Ligações
    • Não exigem ferramenta especial;
    • São Igualmente eficazes em grandes construções ou simples maquetes;
    • Não danificam a madeira utilizada;
    • São, talvez, a técnica mais simples;
    • São pouco estéticas;
    • Não permitem encaixes rígidos;
     
    Froissartage:
    • Pouco sensíveis à humidade;
    • Permite encaixes rígidos;
    • Permite o uso de troncos grossos;
    • É uma técnica mais económica, pois, se é certo que exige a compra de ferramenta especial, o seu custo acaba por ser menor que o do sisal e cordas que, práticamente, se podem usar uma única vez.

    Num acampamento volante, as ligações são mais práticas, mas num acampamento fixo, em que tens tempo e a ferramenta necessária, aconselha-se a técnica Froissartage.


    terça-feira, 1 de abril de 2014

    Porphyrio porphyrio, Camão, Caimão

    Taxonomia
    Aves, Gruiformes, Rallidae.

    Tipo de ocorrência
    Residente.

    Classificação
    VULNERÁVEL -– VU* - (B2ab(iii); - D)
    Fundamentação: Espécie com área de ocupação muito reduzida (inferior a 500 km2). A sua população apresenta fragmentação elevada e o seu habitat tem sofrido declínio continuado. A população é muito reduzida (inferior a 250 indivíduos maturos). Na adaptação à escala regional desceu uma categoria, por se admitir que a população em Portugal poderá ser alvo de imigração significativa das regiões vizinhas e por não ser previsível que essa imigração venha a diminuir.

    Distribuição
    Apresenta uma vasta área de distribuição a nível mundial, abrangendo a região mediterrânica, África, regiões meridionais da Ásia e grande parte das ilhas do subcontinente australiano (del Hoyo et al. 1996), tendo também recentemente sido introduzido nos Estados Unidos da América (Florida) (Pranty et al. 2000). 

    Na Europa, onde apresenta uma distribuição muito fragmentada, ocorre em Portugal, Espanha, França e Itália (restrita à Sardenha) e Sudeste da Rússia.

    Em Portugal, distribui-se ao longo da maior parte das zonas húmidas costeiras, desde o Algarve até à região do baixo Mondego (Pacheco & McGregor 2004). 

    Está actualmente confirmado como reprodutor em 14 sítios (nove no Algarve, três na costa Alentejana, um no vale do Tejo e três no Baixo Mondego) e foi registada a presença de indivíduos em mais quatro locais. No Baixo Mondego a população é resultante de um projecto de re-introdução com indivíduos criados em cativeiro, que se iniciou em 1999 (Pacheco & McGregor  2004).

    O camão tinha em finais do século XIX – princípios do século XX uma ampla distribuição em Portugal que, provavelmente, se estendia ao longo da maior parte das zonas húmidas costeiras, desde o Algarve até à região do baixo Mondego tendo a partir daí sofrido uma grande retracção da sua distribuição, tendo ficado confinada nos anos 80 a um único local no Algarve (Carlos de Bragança inéditos, Giraldes 1879, Seabra 1910, Tait 1924, Reis Júnior 1931, Themido 1933 e 1952, Coverley 1948, Cary 1973, Ferrand de Almeida et al. 1983, Sánchez-Lafuente et al. 1992; Pacheco & McGregor 2004). Esta regressão, que terá sido causada por perda e degradação de habitat (por drenagem e conversão das zonas húmidas em campos de cultivo e caça excessiva) ter-se-á invertido a partir dos anos 90. Actualmente, a espécie recolonizou uma parte considerável da sua antiga área de distribuição, quer por processos naturais quer devido a um projecto de re-introdução (Pacheco & McGregor 2004).

    População
    A população nidificante foi estimada em 49-67 casais em 2002 (Pacheco & McGregor 2004).

    Após o grande declínio verificado entre finais do século XIX e meados do século XX, à semelhança do verificado no resto da Europa, a população portuguesa foi estimada em 10-15 casais entre 1978-84 (Rufino 1989) e 10-12 casais em 1984 (Teixeira 1985) confinados a um único local no Algarve (Ludo). Em 1989 a estimativa populacional foi de 5-10 casais, mas já em três zonas húmidas: Ludo, Caniçal de Vilamoura e Lagoa de S. Lourenço (Ramos 1994).

    A recuperação da população nacional iniciou-se possivelmente no princípio dos anos 90, e mantém-se até aos dias de hoje, estando possivelmente dividida em 3 subpopulações na actualidade.

    Em termos de estatuto de ameaça a nível da Europa, a espécie é considerada Localizada, uma vez que a população reprodutora europeia se encontra confinada a apenas 10 sítios; possui população relativamente pequena mas que aumentou substancialmente entre 1990 e 2000 (BirdLife International 2004). 

    Em Espanha o camão é considerado Pouco Preocupante (LC) (Madroño et al. 2004), sendo referida uma tendência populacional positiva para esse país (Molina 2003).

    Habitat
    Habita exclusivamente zonas húmidas com águas paradas ou lentas, como pauis, lagoas, sapais e albufeiras, desde que a vegetação emergente e a profundidade da água sejam apropriadas. Os territórios têm que ter áreas com elevada densidade de vegetação, principalmente tabua Typha spp., bunho Scirpus spp., caniço Phragmites australis, junça Carex sp. e junco Juncus maritimus, onde as aves passam a maior parte do tempo.

    Prefere águas calmas e lentas a águas correntes, embora possa ser encontrado nas áreas terminais e medianas de alguns rios.

    Factores de Ameaça
    As ameaças identificadas para a espécie em Portugal (Pacheco & McGregor 2004) foram: perda, degradação e fragmentação do habitat por causas humanas, principalmente ligadas à drenagem para conversão em terrenos de cultivo e construção de infra-estruturas ligadas ao turismo. Actualmente estas ameaças estão presentes em algumas zonas, quer da distribuição actual (afectando potencialmente cerca de 30% da população), quer da distribuição histórica do camão, sem estatuto de protecção. O seu efeito combinado pode levar ao isolamento de algumas subpopulações. Este factor deve contribuir consideravelmente para reduzir a capacidade dessas subpopulações para recuperarem, expandirem-se e colonizarem outras áreas com condições de habitat favoráveis, bem como trocar indivíduos entre si. A caça ilegal, a perturbação de origem antrópica e a poluição são também factores negativos a ter em conta. Pontualmente, registaram-se episódios de predação de crias e ovos por animais domésticos devido a alterações drásticas do habitat (drenagem abrupta de lagoas) induzidas pelo homem. Há ainda factores cujo real impacto é desconhecido, como é o caso do saturnismo.

    Medidas de Conservação
    Cerca de 65% da população reprodutora encontra-se no interior de ZPE’s e/ou áreas protegidas, e os restantes 35% distribuem-se por 4 áreas sem qualquer estatuto de protecção (Pacheco & McGregor 2004). É de realçar que 2 das 4 áreas mais importantes para a espécie a nível nacional se encontram nesta situação (lagoa dos Salgados e caniçal de Vilamoura) e que em ambas se prevêem intervenções que podem levar a perda e degradação significativa de habitat. É necessário portanto assegurar protecção legal aos sítios com habitat favorável para o camão. A espécie é contemplada pelo Plano de Acção Nacional para o Camão, sendo no entanto imprescindível a sua implementação no terreno. Particularmente é essencial a elaboração e implementação de planos de gestão para as ZPE’s em que ocorre e que ainda não os tem e rever os existentes que ainda não incluem acções necessárias à conservação do camão e do seu habitat. O camão beneficiou de um programa de re-introdução, com recurso a reprodução em cativeiro no baixo Mondego, que teve início em 1999.

    Como medidas de conservação a implementar encontram-se a manutenção e recuperação do habitat, a interdição do uso do chumbo na actividade cinegética em zonas húmidas, a promoção de restrições à actividade cinegética nos locais onde a espécie se encontra presente, a manutenção do programa reprodução em cativeiro, a implementação de programas de investigação e de um esquema de censo e monitorização da população nacional. A sensibilização do público em geral de modo a aumentar o conhecimento sobre a espécie e a necessidade de se preservar o habitat de que depende foi também identificada como uma prioridade.

    Notas
    Aparentemente ocorre um influxo de indivíduos no Inverno, em algumas zona do sul do país.

    in Livro Vermelho dos Vertebrados