terça-feira, 6 de julho de 2010

Alosa fallax, Savelha


Taxonomia
Actinopterygii, Clupeiformes, Clupeidae.

Tipo de ocorrência
Migradora anádroma.

Classificação
VULNERÁVEL – VU (A2ce+3ce+4ce;B1ab(ii,iii,iv)+2ab(ii,iii,iv))
Fundamentação: A redução da população nos últimos 10 a 15 anos pode ter atingido 30% do número de indivíduos maduros e prevê-se que possa continuar a verificar-se nos próximos 10 a 15 anos ou em qualquer período com a mesma amplitude que abarque o passado e o futuro. As causas da redução, embora geralmente compreendidas, não são reversíveis nem cessaram. A avaliação da redução é baseada nos declínios da área de ocupação, da extensão de ocorrência e da qualidade do habitat e também na expansão de espécies não indígenas. Para além disso, a extensão de ocorrência e a área de ocupação da espécie são reduzidas, menores do que 6.000 km2 e 100 km2, respectivamente e considera-se que tem uma fragmentação elevada e um declínio continuado na área de ocupação, na área, extensão e qualidade do habitat e no número de subpopulações.

Distribuição
Alosa fallax fallax é a subespécie descrita para o Atlântico (Baglinière & Elie,
2000). Presentemente, esta subespécie distribui-se desde a Costa Atlântica marroquina até ao Mar Báltico, incluindo as Ilhas Britânicas. Outras três subespécies encontram-se descritas para o Mediterrâneo (Aprahamian et al. 2003a).

Em Portugal ocorre nas bacias hidrográficas dos rios Minho, Lima, Vouga (pois possivelmente ocorre na Ria de Aveiro), Mondego, Tejo, Sado, Mira e Guadiana (Assis 1990, Alexandrino 1996, Aprahamian et al. 2003a).

População
Pensa-se que poderão existir entre 5.000 e 50.000 indivíduos maduros. A maior Savelha subpopulação deverá ser a da bacia hidrográfica do Tejo, pois é aquela que tem uma maior área de ocupação. É possível que possam ocorrer flutuações acentuadas dos efectivos devido às características das espécies deste género (Baglinière & Elie 2000). O declínio da população é causado pela continuação da perda de habitat motivada por alterações nas bacias hidrográficas. A subestruturação populacional evidenciada por dados genéticos (Alexandrino 1996, Aprahamian et al. 2003a) sugere a existência de um comportamento de “homing” nesta espécie ou seja, os adultos regressam aos locais de nascimento para se reproduzirem.

Habitat

Espécie que se reproduz em água doce ou, em algumas situações, na parte superior da zona estuarina. Os juvenis passam por uma fase de duração variável em meio estuarino. A fase de crescimento ocorre em meio marinho, essencialmente em zonas costeiras (Baglinière & Elie 2000, Aprahamian et al. 2003a).

Factores de Ameaça
As ameaças mais graves para a savelha são as que incidem na fase continental do seu ciclo de vida, das quais se destacam a construção de barragens que alteram as zonas de desova ou impedem o seu acesso, a alteração do regime natural de caudais, a poluição, a exploração de inertes e a sobrepesca. Os obstáculos à migração potenciam, igualmente, a ocorrência de hibridação com a sua congénere, o sável Alosa alosa (Alexandrino et al. 1996, Almeida et al. 2000a, Costa et al. 2001), diminuindo a capacidade reprodutora efectiva e a integridade genética da espécie. Estes obstáculos impedem a chegada do sável aos seus locais de reprodução habituais e assim a desova ocorre mais a jusante, em sobreposição com as zonas de desova da savelha. Assume-se a irreversibilidade das causas de redução pelo facto de o principal factor de ameaça (construção de barragens) se considerar permanente por um período de pelo menos 50 anos.

Medidas de Conservação
A savelha está abrangida pela legislação nacional e internacional de conservação. Parte dos rios Minho, Lima, Vouga, Tejo, Sado, Mira e Guadiana foram designados para a lista nacional de sítios de acordo com a Directiva Habitats devido à presença da savelha, entre outros valores, mas carecem ainda de medidas de ordenamento e gestão dirigidas à espécie. Tem sido alvo de alguns estudos relativos ao seu efectivo populacional, distribuição, biologia, ecologia, genética, estado do habitat e ameaças.

É importante efectuar a implementação das medidas preconizadas nos diversos planos de ordenamento territorial recentemente elaborados (e.g. Planos de Bacia Hidrográfica) e ainda na Directiva-Quadro da Água que deverá atingir a melhoria permanente da qualidade dos habitats aquáticos. Para a conservação da savelha é preciso assegurar a continuidade longitudinal dos rios, nomeadamente através da implementação de passagens para peixes, para permitir o seu acesso às zonas de desova e efectuar a reabilitação dos locais de reprodução habituais. Outras acções necessárias são o controlo da poluição e da extracção de inertes, o restabelecimento dos regimes hidrológicos naturais e a gestão sustentada da pesca. É essencial realizar também a monitorização das populações existentes, aprofundar o conhecimento sobre o estado do habitat e avaliar o sucesso de algumas propostas de intervenção ao nível do habitat. Deve também ser efectuada uma campanha de sensibilização do público em geral e das comunidades piscatórias ribeirinhas, em particular, para a importância da sua conservação.

in Livro Vermelho dos Vertebrados

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